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DIs sobem com exterior e cautela com eleições domésticas

SÃO PAULO (Reuters) - As taxas dos contratos futuros de juros subiam nesta segunda-feira, com a continuidade da cautela com as eleições presidenciais de outubro no Brasil e ainda com as preocupações com a guerra comercial entre Estados Unidos e parceiros comerciais, em dia de menor liquidez com o feriado norte-americano pelo Dia do Trabalho.

Moedas de um real em foto ilustrativa 15/10/2010 REUTERS/Bruno Domingos

“A preocupação do mercado está com o poder de transferência de votos de Lula, que liderou com folga todas as pesquisas em que apareceu até agora, para Haddad”, escreveu a CM Capital Markets em relatório ao justificar a cautela eleitoral do mercado.

Apesar de o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) ter barrado a candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à Presidência, líder em todas as pesquisas de intenção de voto, ele apareceu nas campanhas de rádio e televisão. Para o mercado, isso pode aumentar a transferência de votos dele para o candidato a vice em sua chapa, Fernando Haddad.

Nesta manhã, o TSE mandou suspender a veiculação de propaganda eleitoral que apresente Lula como candidato a presidente e determinou multa de 500 mil reais para cada propaganda veiculada no rádio em caso de descumprimento.

O mercado prefere Geraldo Alckmin (PSDB), por entender que seu perfil reformista é o necessário atualmente para ajustar as contas públicas. O mercado enxerga que o PT teria menos cuidado com a questão fiscal do país, sem fazer as reformas que considera importante para o ajuste das contas públicas.

“As reformas são essenciais, e portanto, o desfecho das eleições de extrema importância neste momento”, escreveu a XP Investimentos.

O cenário de o PT conseguir passar para o segundo turno das eleições até bem pouco tempo atrás não estava no horizonte dos investidores e levou a uma reprecificação dos ativos locais, içando as taxas dos DIs e o dólar frente ao real.

Na terça-feira, será divulgada nova pesquisa de intenção de votos do Ibope e, na quinta-feira, do Datafolha. Nesta segunda-feira, levantamento do banco BTG trouxe cenário sem Lula, com Bolsonaro ainda na liderança e Ciro Gomes (PDT) ultrapassando Marina Silva (Rede) na segunda posição.

O cenário externo mais adverso a países emergentes, em meio às preocupações com a guerra comercial entre EUA e seus parceiros, também influenciava na trajetória de alta dos DIs, bem como do dólar, que subia cerca de 1 por cento ante o real.

A curva a termo de juros precificava nesta sessão quase 100 por cento de chances de alta de 0,25 ponto percentual da Selic em setembro. Na sessão anterior, a curva precificava 96 por cento de alta de 0,25 ponto e o restante, para 0,50, segundo operadores. A Selic está na mínima histórica de 6,50 por cento ao ano.

O próximo encontro do Comitê de Política Monetária (Copom) termina em 19 de setembro e os economistas ouvidos pelo BC na pesquisa Focus acreditam que a taxa básica de juros seguirá inalterada no atual patamar.

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