September 4, 2018 / 2:01 PM / 22 days ago

DIs sobem com exterior e política local

SÃO PAULO (Reuters) - As taxas dos contratos futuros de juros operavam em alta nesta terça-feira, acompanhando o movimento do dólar frente ao real diante da aversão ao risco a países emergentes e preocupações com a guerra comercial global, bem como as eleições presidenciais no Brasil.

“A tendência é de valorização (do dólar)”, afirmou um operador de renda fixa de uma corretora local.

O dólar mantinha a tendência de alta nesta sessão, já tendo encostado no patamar de 4,20 reais, movimento que pode pressionar a inflação e afetar as taxas dos DIs.

As tensões comerciais vêm afetando os mercados globais e emergentes, com as preocupações aumentando novamente após o anúncio do presidente dos EUA, Donald Trump, no fim de semana de que não havia necessidade de manter o Canadá no Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta).

Além disso, Trump estaria preparado para acelerar rapidamente a guerra comercial com a China e poderia estar pronto para impor mais tarifas às importações chinesas.

As atenções também continuavam voltadas para a Argentina, que enfrenta forte crise econômica e, na véspera, anunciou novos impostos e cortes de gastos para tentar equilibrar o orçamento e antecipar recursos do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Internamente, os investidores estavam sob a expectativa pela nova pesquisa Ibope de intenções de voto e que deve ser divulgada após o fechamento dos mercados. O levantamento é o primeiro depois que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) vetou a candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), líder em todas as pesquisas eleitorais.

O Partido dos Trabalhadores, no entanto, pretende recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar reverter a decisão e prorrogar ao máximo a exposição de Lula para impulsionar a transferência de votos ao provável sucessor, Fernando Haddad.

O mercado vê o PT como menos comprometido com as contas públicas e, por isso, assume posturas defensivas diante da possibilidade de a legenda avançar para o segundo turno.

Também está prevista nova pesquisa do Datafolha para quinta-feira.

Em meio a essa cautela, os investidores mantinham prêmios embutidos na curva a termo, que precificava nesta sessão 96 por cento de chances de alta de 0,25 ponto percentual da Selic em setembro, com o restante indicando alta de 0,50 ponto percentual, igual à sessão anterior, segundo operadores. A Selic está na mínima histórica de 6,50 por cento ao ano.

Na pesquisa Focus do Banco Central, que ouve cerca de 100 economistas todas as semanas, as projeções são de que a Selic não será mexida neste ano em meio ao cenário de atividade e inflação fracos.

Nesta manhã, foi divulgado que a produção industrial no Brasil encolheu menos do que o esperado em julho, mas é o resultado mais fraco para o mês desde 2015.

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