September 4, 2018 / 3:41 PM / in 2 months

Denúncia sobre Haddad alivia mercados e DIs reduzem alta

SÃO PAULO (Reuters) - As taxas dos contratos futuros de juros reduziram a alta e passaram a trabalhar com leves oscilações sob influência do cenário eleitoral doméstico, após o Ministério Público denunciar o candidato a vice-presidente Fernando Haddad (PT) por corrupção.

Moedas de um real em foto ilustrativa 15/10/2010 REUTERS/Bruno Domingos

Até então, as taxas vinham subindo acompanhando o movimento de alta do dólar frente ao real —que acabou sendo revertido também— e com as preocupações com a guerra comercial global e com os emergentes.

“A notícia serviu para esvaziar a alta. Mas uma coisa é ser denunciado, outra é ser condenado”, lembrou um operador de renda fixa de um banco nacional

O Ministério Público do Estado de São Paulo apresentou denúncia contra Haddad por corrupção pelo recebimento de 2,6 milhões de reais de propina da empreiteira UTC Engenharia para pagamento de dívida contraída durante a campanha eleitoral à prefeitura da capital paulista em 2012.

Haddad, provável substituto do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na cabeça da chapa presidencial do PT após o ex-presidente ter sido barrado da disputa na semana passada, já havia sido acusado pelo MP de improbidade administrativa e enriquecimento ilícito no mesmo caso.

O mercado vê o PT como menos comprometido com as contas públicas e, por isso, assume posturas defensivas diante da possibilidade de a legenda avançar para o segundo turno. Lula lidera todas as pesquisas de intenção de votos à Presidência e os investidores temem a força de transferência desses votos para seu substituto.

O mercado também estava na expectativa sobre novas pesquisas de intenção de votos: Ibope, depois do fechamento do mercado nesta terça-feira, e Datafolha, que deve sair no fim de semana.

Antes da notícia doméstica, o mercado era influenciado também pela aversão ao risco externa, em dia de nova alta do dólar ante moedas fortes e emergentes.

As tensões comerciais vêm afetando os mercados globais e emergentes, com as preocupações aumentando novamente após o anúncio do presidente dos EUA, Donald Trump, no fim de semana de que não havia necessidade de manter o Canadá no Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta).

Além disso, Trump estaria preparado para acelerar rapidamente a guerra comercial com a China e poderia estar pronto para impor mais tarifas às importações chinesas.

As atenções também continuavam voltadas para a Argentina, que enfrenta forte crise econômica e, na véspera, anunciou novos impostos e cortes de gastos para tentar equilibrar o orçamento e antecipar recursos do Fundo Monetário Internacional (FMI).

Em meio a essa cautela, os investidores mantinham prêmios embutidos na curva a termo, que precificava nesta sessão 96 por cento de chances de alta de 0,25 ponto percentual da Selic em setembro, com o restante indicando alta de 0,50 ponto percentual, igual à sessão anterior, segundo operadores. A Selic está na mínima histórica de 6,50 por cento ao ano.

Na pesquisa Focus do Banco Central, que ouve cerca de 100 economistas todas as semanas, as projeções são de que a Selic não será mexida neste ano em meio ao cenário de atividade e inflação fracos.

Nesta manhã, foi divulgado que a produção industrial no Brasil encolheu menos do que o esperado em julho, mas é o resultado mais fraco para o mês desde 2015.

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