September 4, 2018 / 7:36 PM / 3 months ago

DIs fecham em alta com exterior e política local

SÃO PAULO (Reuters) - As taxas dos contratos futuros de juros fecharam a terça-feira em alta, em novo dia de aversão ao risco a países emergentes e preocupações com a guerra comercial entre Estados Unidos e seus parceiros, tendo como pano de fundo a expectativa por novas pesquisas de intenção de votos para eleições no Brasil.

Moedas de um real em foto ilustrativa 15/10/2010 REUTERS/Bruno Domingos

“O exterior continua ruim e as eleições vão pressionar até sua definição em outubro”, afirmou um gestor de derivativos de uma corretora estrangeira.

As tensões comerciais vêm afetando os mercados globais e emergentes com as preocupações aumentando novamente após o anúncio do presidente dos EUA, Donald Trump, no fim de semana de que não havia necessidade de manter o Canadá no Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta).

Além disso, Trump estaria preparado para acelerar rapidamente a guerra comercial com a China e poderia estar pronto para impor mais tarifas às importações chinesas.

As atenções também continuaram voltadas para a Argentina, que enfrenta forte crise econômica e, na véspera, anunciou novos impostos e cortes de gastos para tentar equilibrar o orçamento e antecipar recursos do Fundo Monetário Internacional (FMI).

A trajetória de alta das taxas chegou a ser revertida no final da manhã, mas voltou a predominar em seguida, após a notícia de que o Ministério Público do Estado de São Paulo apresentou denúncia contra o candidato à vice-presidente na chapa petista, Fernando Haddad, por corrupção pelo recebimento de 2,6 milhões de reais de propina da empreiteira UTC Engenharia para pagamento de dívida contraída durante a campanha eleitoral à prefeitura da capital paulista em 2012.

Haddad, provável substituto do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na cabeça da chapa presidencial do PT após o ex-presidente ter sido barrado da disputa na semana passada, já havia sido acusado pelo MP de improbidade administrativa e enriquecimento ilícito no mesmo caso.

O mercado vê o PT como menos comprometido com as contas públicas e, por isso, assume posturas defensivas diante da possibilidade de a legenda avançar para o segundo turno. Lula lidera todas as pesquisas de intenção de votos à Presidência e os investidores temem a força de transferência desses votos para seu substituto.

“A notícia serviu para esvaziar a alta. Mas uma coisa é ser denunciado, outra é ser condenado”, lembrou um operador de renda fixa de um banco nacional.

Após o fechamento do mercado, será divulgada nova pesquisa Ibope sobre intenção de votos, a primeira depois que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) vetou a candidatura de Lula. No próximo final de semana, deve ser divulgado novo levantamento do Datafolha.

Em meio a essa cautela, os investidores mantiveram prêmios embutidos na curva a termo, com 92 por cento de chances de alta de 0,25 ponto percentual da Selic em setembro, ante 96 na véspera, com o restante indicando alta de 0,50 ponto percentual, segundo operadores. A Selic está na mínima histórica de 6,50 por cento ao ano.

Na pesquisa Focus do Banco Central, que ouve cerca de 100 economistas todas as semanas, as projeções são de que a Selic não será mexida neste ano em meio ao cenário de atividade e inflação fracas.

Nesta manhã, foi divulgado que a produção industrial no Brasil encolheu menos do que o esperado em julho, mas é o resultado mais fraco para o mês desde 2015.

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