September 6, 2018 / 1:25 PM / 19 days ago

DIs recuam com exterior e após IPCA mais fraco; caem apostas de alta da Selic

SÃO PAULO (Reuters) - As taxas dos contratos futuros de juros operavam em queda nesta quinta-feira, sintonizadas com o ambiente mais tranquilo para países emergentes e após a inflação oficial ter fechado agosto abaixo das previsões, favorecendo a trajetória de manutenção da Selic.

Moedas de um real em foto ilustrativa 15/10/2010 REUTERS/Bruno Domingos

“O dado reforça a ideia de que a elevada ociosidade da economia limita os possíveis impactos do câmbio na inflação”, afirmou o economista-sênior do Banco Haitong, Flávio Serrano, para quem o Banco Central deve manter a taxa básica de juros na mínima histórica de 6,50 por cento neste mês.

O IPCA caiu 0,09 por cento em agosto, ante previsão de que ficaria estável, acumulando em 12 meses alta de 4,19 por cento, ainda mais abaixo do centro da meta de inflação, de 4,5 por cento, com margem de 1,5 ponto percentual.

O Brasil voltou a registrar deflação pela primeira vez em pouco mais de ano diante da queda de preços em alimentos e transportes em agosto, resultado mais fraco que esperado em meio à lentidão da atividade econômica. A expectativa em pesquisa da Reuters com analistas era de estabilidade no mês.

Com isso, a curva a termo de juros reduzia as apostas de alta de 0,25 ponto percentual da Selic agora, precificando 72 por cento de chance, contra 88 por cento na véspera, com o restante indicando manutenção, segundo operadores.

Na pesquisa Focus do BC, que ouve cerca de uma centena de economistas todas as semanas, as projeções são de que a Selic não será alterada neste ano em meio ao cenário de atividade e inflação fracas.

No mercado de DI, as precificações eram diferentes diante do momento de aversão ao risco, com cena externa e cautela com as eleições presidenciais no Brasil, o que levava os investidores a embutirem fortes prêmios na curva a termo.

Se o trecho mais curto e intermediário das taxas dos DIs eram favorecidos pelo comportamento da inflação, o mais longo era ajudado pelo ambiente externo mais favorável a países emergentes nesta sessão, que também fazia o dólar cair ante o real.

A cautela com a cena política, por outro lado, continuava no radar após a publicação de nova pesquisa Ibope na noite passada. O candidato Jair Bolsonaro (PSL) continuava na liderança na corrida ao Palácio do Planalto, com 22 por cento, seguido de Marina Silva (Rede), com 12 por cento.

Um dos destaques ficou por conta do avanço acima da margem de erro de Ciro Gomes (PDT), a 12 por cento, sobre 9 por cento antes. O candidato do PSDB, Geraldo Alckmin, oscilou para 9 por cento, de 7 por cento antes, enquanto Fernando Haddad (PT) ficou com 6 por cento, frente a 4 por cento.

“Bolsonaro está praticamente garantido no segundo turno, mas sua rejeição continua alta e ele perde para praticamente todos os concorrentes”, comentou um gestor de derivativos de uma corretora local.

O mercado avalia que Alckmin seria mais comprometido com reformas que considera necessárias ao ajuste fiscal do país.

O feriado da Independência do Brasil, no dia seguinte e que manterá os mercados locais fechados, também alimentava a cautela.

Nas últimas semanas, o cenário externo desafiador para países emergentes, a guerra comercial norte-americana e o cenário eleitoral incerto fez com que os ativos domésticos fossem reprecificados. Esse ambiente mais hostil levou o Tesouro Nacional a anunciar na véspera que assumirá mais risco ligado à Selic neste ano, emitindo mais títulos que flutuam com a taxa básica que o inicialmente previsto.

Em revisão do Plano Anual de Financiamento (PAF) deste ano, o Tesouro ampliou a fatia fixada como meta para a participação de títulos atrelados à Selic na dívida pública federal para 33 a 37 por cento, sobre 31 a 35 por cento antes. As bandas para os demais papéis, bem como para o estoque total da dívida, permaneceram inalteradas.

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