October 10, 2018 / 9:09 PM / 2 months ago

Candidatos devem entender que negócios dependem do Acordo de Paris, diz porta-voz de bancos de desenvolvimento

BRASÍLIA (Reuters) - É muito difícil que o governo brasileiro abra mão do acordo de Paris, afirmou nesta quarta-feira o presidente da Associação Brasileira de Desenvolvimento (ABDE), que representa bancos de fomento no país, reforçando que negócios dependem disso e que essa realidade deverá se impor sobre promessas feitas nas eleições presidenciais.

Caminhões ficam detidos em rodovia durante um dia poluído em Shijiazhuang, na província de Hebei, na China. REUTERS.

“Entre o discurso de campanha e execução de governo tem uma diferença enorme, as bravatas ficam para a campanha e na hora do discurso, de gerir um país, a coisa é mais importante”, afirmou Marco Aurélio Crocco.

No início de setembro, o candidato do PSL à Presidência, Jair Bolsonaro, disse que, se eleito, pode retirar o Brasil do Acordo de Paris de combate às mudanças climáticas uma vez que, segundo o presidenciável, as premissas previstas afetam a soberania nacional.

Bolsonaro, que em diversas áreas tem um discurso semelhante ao do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que retirou os EUA do pacto global do clima, afirmou que é desfavorável ao acordo porque o Brasil teria que “pagar um preço caro” para atender às exigências.

“Alguns candidatos vão ter que entender que se vive num mundo. E mundo é igual condomínio: você não faz o que quer, tem que respeitar as regras do condomínio. Eles vão aprender isso e vão ver que tem acordos de comércio, acordos de empréstimos, acordos financeiros que dependem dessas questões”, disse Crocco.

Nesta quarta-feira, a ABDE, que reúne o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e outros bancos e agências de fomento regionais, fechou um acordo com o governo do Reino Unido, que destinará até 25 mil libras para a entidade até março do ano que vem para que capacite instituições associadas a realizar captação de recursos de finanças verdes.

Crocco, que também comanda o Banco de Desenvolvimento de Minas Gerais (BDMG), defendeu que é impossível o país se desvencilhar dessa pauta, que é compartilhada globalmente.

“Nós levantamos recursos no exterior e se a gente bater hoje em qualquer agência de fomento, organismo multilateral, onde vai ter recurso é recurso pra fazer finanças verdes”, afirmou.

“Só tem recurso pra isso porque o mundo está fazendo isso.”

O embaixador britânico no Brasil, Vijay Rangarajan, também destacou que, nesse sentido, o fluxo de recursos é direcionado para investimentos concretos.

“Não é um tipo de ajuda”, afirmou Rangarajan sobre o financiamento a projetos inseridos no âmbito de uma agenda sustentável e alinhada à governança ambiental e social.

Por Marcela Ayres

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