November 26, 2018 / 11:13 AM / 21 days ago

DIs operam sem direção comum, com influência do dólar, política e exterior

SÃO PAULO (Reuters) - As taxas dos contratos futuros de juros operavam sem uniformidade nesta segunda-feira, com o trecho mais curto favorecido pela perspectiva de juros estáveis por mais tempo e o longo sob influência da alta do dólar ante o real, a despeito do acordo para o Brexit entre os líderes europeus e a possibilidade de a Itália reduzir sua meta de déficit.

Imagem ilustrativa de moedas de real 15/10/2010 REUTERS/Bruno Domingos

“Estamos vendo alguma pressão nas moedas emergentes, principalmente da América Latina”, disse a economista da corretora Spinelli Camila de Caso, acrescentando que isso está afetando o movimento do dólar ante o real e impactando no trecho mais longo da curva a termo.

O dólar operava misto no exterior, em queda ante a lira turca e alta ante os pesos chileno e mexicano, país que terá seu novo presidente empossado no próximo final de semana.

A moeda norte-americana também recuava ante a cesta de moedas, com destaque para o avanço do euro por conta do acordo da União Europeia e Reino Unido terem alcançado acordo para o Brexit e expectativa de que a Itália revise sua meta orçamentária para 2019.

“A agenda ganha mais força nos próximos dias e, com o noticiário mais calmo hoje, os investidores podem estar evitando tomar posições para esperar o que tem pela frente”, completou ela, destacando a divulgação na quinta-feira da ata da última reunião de política monetária do Federal Reserve e o encontro do G20 no final da semana.

A trajetória de aumento de juros nos EUA é um dos principais motores do mercado e novidades sobre altas mais graduais pode reforçar a busca pelo risco nos países emergentes.

“Estamos trabalhando com aumento de juros (no Brasil) mais no final do próximo ano, para 7 por cento, pensando mais no ambiente externo do que por causa de preocupação com a inflação”, acrescentou Camila.

A pesquisa Focus desta segunda-feira endossou uma perspectiva cada vez mais forte no mercado, a de que o aumento de juros no Brasil deve demorar mais a acontecer. O levantamento mostrou que a expectativa agora é de que a Selic fique a 7,75 por cento no final do ano que vem, com Top-5, grupo dos que mais acertam as previsões, vendo a taxa ainda mais baixa, a 7 por cento. Na semana anterior, as projeções eram respectivamente de 8 e 7,5 por cento.

A curva a termo precificava nesta sessão 91 por cento de chances de manutenção da taxa Selic em 6,5 por cento no encontro do BC que termina em 12 de dezembro, ante 79 por cento na sessão anterior. O restante indicava alta de 0,25 ponto percentual, mostravam dados da Reuters.

A preocupação do mercado com a governabilidade do novo governo, após a escolha de nomes considerados essencialmente técnicos ou de pequeno grupo partidário, por outro lado, também contribuía para pressionar o trecho mais longo da curva a termo.

“Acho preocupante não ter governabilidade política. Ter ministros técnicos que não conseguem negociar com a política é preocupante porque costuras têm que ser feitas”, destacou Camila.

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