January 4, 2019 / 7:00 PM / 6 months ago

JUROS-DIs longos fecham em queda com fala de Jerome Powell, do Fed

SÃO PAULO (Reuters) - As taxas dos contratos futuros de juros de prazo mais longo no Brasil terminaram a sexta-feira em queda, influenciados pelo discurso do chairman do Federal Reserve, Jerome Powell, considerado como “dovish”, o que pode aliviar a trajetória de alta de juros nos Estados Unidos neste ano.

7/01/2016. REUTERS/Nacho Doce

“Ele foi dovish ao dizer que os dados de inflação divulgados dão uma certa paciência em relação à política monetária”, avaliou um operador de renda fixa de um banco nacional ao acrescentar que o Fed pode esperar a divulgação de mais dados antes de subir os juros.

Segundo Powell, apesar do bom momento, o banco central norte-americano será sensível aos riscos de baixa precificados pelo mercado. Além disso, a inflação está sob controle.

“Seremos pacientes ao observarmos como a economia vai evoluir”, disse Powell à Associação Econômica Americana, acrescentando que o Fed não está em um caminho pré-definido de aumento de juros e sugerindo que o banco central pode fazer uma pausa em seu ciclo de aperto, assim como aconteceu em 2016.

Até a fala de Powell, os DIs subiam num movimento de correção influenciado por declarações do presidente Jair Bolsonaro de que cogita uma reforma da Previdência com idade mínima de 62 anos para homens e 57 para mulheres, de forma gradativa.

“(A idade mínima menor) não era esperado pelo mercado e, se for verdade, a ambição (para a reforma) é muito baixa, para dizer o mínimo”, afirmou o diretor de Tesouraria de um banco estrangeiro.

Em entrevista ao SBT na véspera, Bolsonaro disse que pretende aproveitar a reforma da Previdência que já está na Câmara dos Deputados e que não quer fazer maldade com o povo, acrescentando que a idade mínima de 65 anos é um pouco pesada para algumas profissões.

“Aguardemos que tal movimento de Bolsonaro tenha o mínimo de coordenação com a equipe econômica, senão o sinal é muito negativo para o mercado”, disse o economista-chefe da gestora Infinity, Jason Vieira, em relatório.

No exterior, o ambiente estava favorável ao risco desde cedo após notícia de que China e Estados Unidos voltam a negociar nos início da próxima semana.

Uma equipe de trabalho liderada pelo vice-representante de Comércio dos EUA, Jeffrey Gerrish, vai à China para realizar “discussões positivas e construtivas” com os colegas chineses, disse o Ministério do Comércio da China em um comunicado em seu site.

A guerra comercial entre China e EUA elevou as preocupações dos investidores sobre a desaceleração da economia mundial, levando, inclusive, o Fed a reduzir a duas, ao invés de três, as altas de juros previstas no país neste ano. Com a fala de Powell, agora o mercado imagina que esse número pode ser ainda menor.

O trecho mais curto da curva de juros a termo brasileira fechou com pequenas oscilações e viés de alta, uma vez que o mercado já tem bem precificado que o Banco Central brasileiro deve demorar a subir os juros no país, em ambiente de inflação sob controle e economia demorando a se recuperar.

A curva a termo precificava nesta sexta-feira 91 por cento de chances de manutenção da Selic no primeiro encontro de política monetária do BC deste ano, nos dias 5 e 6 de fevereiro, com o restante esperando elevação de 0,25 ponto percentual. No pregão anterior, a precificação era de 93 por cento de chance de manutenção.

Veja as taxas dos principais contratos de DIs no fechamento:

mês ticker último fechamento variação

(%) anterior (%) (p.p.)

MAR9 6,415 6,415 0

JAN0 6,525 6,495 0,03

JAN1 7,27 7,22 0,05

JAN23 8,4 8,39 0,01

JAN25 8,93 8,97 -0,04

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