10 de Abril de 2008 / às 00:09 / em 10 anos

Passagem da tocha olímpica causa confusão em San Francisco

Por Adam Tanner

SAN FRANCISCO (Reuters) - Houve confusão na passagem da tocha olímpica por San Francisco, na quarta-feira, apesar da mudança de última hora no percurso, que surpreendeu milhares de manifestantes e entusiastas do evento.

O primeiro corredor empunhou a tocha e iniciou o trajeto, escoltado por agentes chineses altos, vestidos de azul. O grupo então sumiu dentro de um imenso galpão à margem d’água, numa alteração de última hora das autoridades para evitar distúrbios.

A “Jornada de Harmonia”, como foi batizada pelos organizadores, rapidamente virou uma jornada de procura da tocha perdida.

Essa é a única etapa do revezamento olímpico nos Estados Unidos. A passagem da tocha já provocou protestos na semana passada em Londres e Paris, por causa de questões como a repressão chinesa no Tibet e a situação dos direitos humanos no país anfitrião da próxima Olimpíada, em agosto.

Depois que a tocha desapareceu no galpão, a presença de jet-skis e barcos da polícia sugeria que ela poderia ressurgir numa embarcação. Mas, uma hora depois, ela reapareceu numa importante rua no sentido norte-sul, a mais de três quilômetros dali.

A platéia ficou perplexa. “Acho que foi covardia. Se eles não podem correr com a tocha pela cidade, significa que ninguém está apoiando os Jogos”, disse Matt Helmenstine, um professor de 30 anos que empunhava uma bandeira do Tibete.

O engenheiro chinês Michael Huo, que trabalha no vale do Silício, acrescentou: “Acho que fomos enganados, porque acho que o significado do revezamento era mostrar a todo o mundo que nosso país está recebendo a Olimpíada.”

San Francisco tem uma grande comunidade sino-americana, e muitos esperavam com orgulho para ver a tocha. Houve atritos com os manifestantes pró-Tibet, e pelo menos um deles foi detido mesmo antes do início do evento, que estava previsto para as 13h (17h em Brasília), mas começou atrasado.

Em frente ao porto das balsas, Christine Lias, de 30 anos, foi cercada por mais de 30 sino-americanos assim que bradou “Tibet Livre agora!”.

“Mentirosa, mentirosa, que vergonha!”, gritava o grupo.

Num belo dia de primavera, San Francisco recebeu centenas de policiais e agentes do FBI. As autoridades avisaram que prenderiam quem cruzasse as barreiras.

Milhares de espectadores simpáticos à China se reuniram no trajeto original, muitos empunhando bandeiras da China comunista, dos EUA e do movimento olímpico.

O engenheiro de computação sino-americano Don Zheng, de 41 anos, que emigrou em 1988, comentava orgulhoso que a realização da Olimpíada “significa que a China está se tornando uma potência mundial”.

“Sou leal aos EUA, mas amo a China porque é minha pátria”, dizia Alice Liu, 50 anos, que mudou de país em 1989, depois dos protestos da praça Tiananmen.

Scott Benett, 54 anos, um budista do interior da Califórnia, levava uma bandeira tibetana e também foi intimidado por simpatizantes do evento.

Outro assunto que atrai protestos contra o regime comunista é o apoio de Pequim ao regime sudanês, acusado por alguns de cometer genocídio na região de Darfur.

Reportagem de Jim Christie, Amanda Beck, Robert Galbraith, Erin Siegal e Philipp Gollner em San Francisco, Richard Cowan em Washington, Guo Shipeng e Nick Mulvenney em Pequim, Lucy Hornby em Xiahe, e John Ruwitch em Hong Kong

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