9 de Agosto de 2008 / às 00:44 / em 9 anos

PEQUIM'08-Brasileiros encontram churrascaria para ver abertura

Por Mauricio Savarese

PEQUIM, 8 de agosto (Reuters) - Longe dos fogos de artifício e da badalação, mas perto do churrasco e da cerveja. Foi essa a solução que brasileiros em Pequim encontraram para acompanhar pela TV a abertura dos Jogos Olímpicos na noite de sexta-feira.

A concentração foi no restaurante Latin, recém-aberto na capital chinesa e que já contava com sete filiais no país. Ao lado de um dos parques mais famosos da cidade e adornado pesadamente na cor verde e amarela, a casa é operada por chineses em roupas gaúchas e serviu de ponto de encontro para turistas e residentes em Pequim, quase que acidentalmente, segundo eles.

“É melhor vir para cá do que ficar no meio daquele tumulto de gente que queria ver os fogos perto do Ninho de Pássaro ou da Praça da Paz Celestial. Sem contar que churrasco é bom até quando é ruim”, brincou o gaúcho Glenio Paiva, 50 anos.

“Foi melhor também para ver a festa direito. Essa cerimônia foi bonita e merecia ser vista no telão, em detalhe. Principalmente a parte final, que foi a que mais me agradou.”

O pesado esquema de segurança na cidade, ameaçada por grupos terroristas, afastou as pessoas do estádio Ninho de Pássaro e da Praça da Paz Celestial. Segundo o funcionário público Marcelo Scarpi, 35 anos, que estuda na China, foi melhor assistir ao evento na churrascaria do que dentro do local onde ele aconteceu.

“Só de pensar no tamanho do problema para chegar ali, de pagar para tomar qualquer coisa, preferi vir para cá. Foi mais emocionante aqui porque tem a brasileirada, a cerveja e a caipirinha. Isso tudo ajuda na emoção”, afirmou o brasiliense.

Apesar de o ambiente ser bem brasileiro, não faltaram estrangeiros que preferiram se esbaldar na churrascaria em vez de tentar andar pela cidade para ver pelo menos os fogos de artifício mais de perto.

A estudante sul-coreana Monica Kwan, 21, aproveitou a companhia de um amigo paulista que vive na China para estrear na churrascaria. “Sempre tive curiosidade, porque na Coréia também comemos muito churrasco. Valeu a pena”, disse ela, que aprovou a picanha assada e o pão de queijo oferecidos.

Diretor da rede Latin, João Carlos vive há 20 anos na Ásia, divididos igualmente entre Japão e China. Ele diz que não esperava que os brasileiros que vieram para as Olimpíadas descobrissem o local tão rapidamente.

“Abrimos há um mês e as coisas estão caminhando bem. Mas ainda não consegui pensar em nada para os dias de jogos importantes dos esportes que chamam mais gente. Nem deu tempo de se ajeitar”, disse.

Mesmo em meio ao trabalho, João Carlos acompanhou parte da cerimônia de abertura e viu nela esperança para o Brasil sediar a Olimpíada de 2016.

“Se eles conseguem, não vejo motivo para não conseguirmos. Eles passaram esse tempo todo ensaiando e fizeram um belo espetáculo. Nós temos cultura de sobra para mostrar e acho que somos capazes de fazer bonito igual a eles”, disse.

Edição de Mair Pena Neto

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