11 de Março de 2008 / às 13:20 / em 10 anos

ENTREVISTA-Aos 72, Blatter não dá sinais de pendurar a chuteira

Por Mike Collett

<p>Milh&otilde;es de pessoas chegam aos 72 anos j&aacute; desacelerando o ritmo de vida, mas esse n&atilde;o parece ser o caso de Joseph Blatter, presidente da Fifa. 7 de mar&ccedil;o. Photo by Fadi Al-Assaad</p>

LONDRES (Reuters) - Milhões de pessoas chegam aos 72 anos já desacelerando o ritmo de vida, mas esse não parece ser o caso de Joseph Blatter, presidente da Fifa.

O dirigente fez aniversário nesta segunda-feira presidindo uma reunião técnica da Fifa em Zurique, depois de uma rápida visita à conferência anual, na Escócia, da Association Board, entidade que define as regras do futebol.

Blatter riu quando questionado sobre a possibilidade de fazer uma pausa no fim de semana para jogar golfe em Gleneagles, local da reunião escocesa, que tem um dos melhores campos de golfe do mundo.

“É um jogo maravilhoso, o golfe, mas vamos falar de futebol”, disse ele à Reuters nos luxuosos arredores do Gleneagles Hotel.

Blatter entrou para a Fifa como diretor técnico, em 1975. Em 1981, já era secretário-geral, posto que manteve até 1998, quando substituiu João Havelange como presidente.

Ele viveu alguns altos e baixos nestes dez anos, e nesta semana começa na Suíça um processo relativo à falência da ISL, empresa que fazia projetos de marketing para a Fifa. Alguns observadores dizem que o processo pode ser nocivo para a entidade, mas Blatter nega, afirmando que a Fifa não tem nada a temer e na verdade foi quem abriu o processo.

Sob o comando de Blatter, a Fifa se profissionalizou. “Ela empregava 11 pessoas na época, hoje temos 300, e o futebol é um jogo global. Todos sabemos disto, mas temos de respeitar nossa história, nosso passado e nossas responsabilidades. Não se trata só de dinheiro e grandes clubes.”

“Temos muitos problemas no futebol, mas acredito no lado bom da natureza humana. Acredito que podemos manter o futebol como um fator importante, não só para fornecer entretenimento, mas também para levar emoção e paixão e para integrar as pessoas, difundir a esperança pelo mundo. É claro que isso é mais fácil de falar que de fazer”, completou.

Ninguém sabe quando Blatter vai se aposentar, mas ele certamente quer deixar um legado. O mais importante seria o sistema “6+5”, que ele pretende adotar até 2012. Isso obrigaria que todo time começasse um jogo com pelo menos 6 jogadores em condições de servir à seleção daquele país, sem levar em conta a legislação européia que restringe esse tipo de cota.

“Estabelecemos a especificidade do esporte no tratado da UE, e tenho certeza de que o Parlamento Europeu vai entender que o que estamos tentando fazer é pelo bem do jogo. Não pode haver uma solução européia para um problema mundial, e estamos preparados para lutar por isso. As torcidas devem voltar a ter uma identidade nacional com seus times.”

No sábado, a Fifa finalmente acabou com todos os experimentos tecnológicos que “avisavam” quando a bola cruza a linha do gol -- algo a que Blatter sempre se opôs. A decisão foi tomada pela International Board, um departamento obscuro da Fifa, que acaba sendo o seu “poder legislativo”. Formada em 1886, essa instância inclui as quatro federações britânicas (Inglaterra, Escócia, Gales e Irlanda do Norte), mais quatro outras federações da Fifa. Ela raramente incorpora grandes mudanças ao jogo.

“Essa é uma das razões pelas quais o futebol continua sendo um jogo tão ótimo. A Fifa já teve um secretário-geral, entre 1981 e 98, que sempre queria mudar as coisas. Vocês sabem quem ele era. A International Board impediu muitas das suas idéias, e com razão”, disse ele, rindo, antes de deixar a Escócia e voltar a Zurique, onde fica a sede da Fifa.

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