16 de Agosto de 2008 / às 07:25 / em 9 anos

César Cielo conquista 1o ouro olímpico da natação do Brasil

Por Alberto Alerigi Jr.

<p>O brasileiro Cesar Cielo Filho acena para os torcedores depois de receber a medalha de ouro nos 50m nado livre, em Pequim, dia 16 de agosto. C&eacute;sar Cielo entrou para a hist&oacute;ria do esporte brasileiro neste s&aacute;bado ao conquistar a primeira medalha de ouro da nata&ccedil;&atilde;o do Brasil e tamb&eacute;m o primeiro ouro do pa&iacute;s nos Jogos Pequim. Photo by David Gray</p>

PEQUIM (Reuters) - César Cielo entrou para a história do esporte brasileiro neste sábado ao conquistar a primeira medalha de ouro da natação do Brasil e também o primeiro ouro do país nos Jogos Pequim. O nadador, em sua estréia em Jogos Olímpicos, ficou a 2 centésimos de segundo do recorde mundial da prova dos 50 metros livre.

Cielo, que tem 21 anos de idade e treina nos Estados Unidos, fez o tempo de 21s30 e somou o ouro ao bronze conquistado nos 100m livre. A marca quebra também o próprio recorde olímpico que o brasileiro havia cravado nas semifinais de sexta-feira.

“Eu não sei como o Phelps aguenta isso não, a pressão é dura. Realmente hoje eu sei que as coisas vão ficar cada vez mais difíceis para mim porque agora eu sou a mira, não estou mirando em mais ninguém”, disse Cielo a jornalistas após a vitória, referindo-se ao norte-americano Michael Phelps, que já conquistou sete ouros em Pequim e quer levar mais um para bater o recorde de títulos em uma única edição dos Jogos.

Assim que viu seu nome no telão da piscina, Cielo caiu no choro ainda na água. As lágrimas rolaram ainda mais soltas no pódio, quando, na metade da execução do hino nacional, ele não conseguiu mais segurar o choro, e acabou sendo aplaudido pela platéia no Cubo d’Água. Era a primeira vez que o hino nacional era tocado desde o começo dos Jogos de Pequim.

“Era a prova da minha vida. É o melhor momento que eu passo na minha vida. Foi sensacional. Acho que se tivesse que voltar no tempo e mudar alguma coisa, não mudaria nada para chegar aqui”, disse ele ainda emocionado. “Era um sonho meu de criança, nunca imaginei que chegaria onde estou hoje.”

Cielo ficou à frente dos franceses Amaury Leveaux e Alain Bernard, que terminaram respectivamente com 21s45 e 21s49. O australiano Eamon Sullivan, recordista mundial da prova com tempo de 21s28, terminou em sexto, com 21s65.

O brasileiro acabou sendo vítima de uma gafe dos organizadores, que entregaram para ele uma medalha da prova feminina.

Depois de trocar a medalha pela correta, o nadador brincou que não tiraria a embalagem plástica pois já arranhou a medalha de bronze. A idéia, entretanto, não durou muito tempo, pois ele acabou tirando-a para fotos.

DE ÍDOLO A TIETE

Bernard foi ouro na prova dos 100 metros em que Cielo conquistou o bronze, medalha que deu confiança para o nadador acreditar que podia, disse Gustavo Borges, nadador brasileiro com maior número de medalhas olímpicas, que passou da condição de ídolo a fã de Cielo, correndo para tirar uma foto e abraçar o novo campeão.

“A surpresa foi os 100 metros, o bronze tirou o peso dos ombros do César. É uma surpresa mesmo ver que aquilo se concretizou. É uma mistura de emoções mesmo e é um grande presente para o Brasil”, disse o ex-nadador. Borges foi prata nos 100 metros livre em Barcelona-1992; prata nos 200 metros livre e bronze nos 100 metros livre em Atlanta-1996; e bronze no revezamento 4x100 metros livre em Sydney-2000.

“Com certeza eu sou fã dele. Nos dois anos que treinamos juntos (2003 e 2004), foi difícil ganhar dele no segundo ano. E de 2005 em diante, com a maturação, ele começou a criar bagagem e resultou nesse ouro de hoje”, disse Borges.

O técnico de Cielo, o ex-nadador australiano Brett Hawke, afirmou que Cielo estava fisicamente pronto, mas não preparado mentalmente para sua vitória. Nos dias antes da prova, o trabalho de preparação foi focado na mente do brasileiro natural de Santa Bárbara d‘Oeste, em São Paulo.

“É difícil para jovens acreditarem em si mesmos, mas eu sabia que ele era um fenômeno e que tinha uma chance de ganhar. Ele só precisava acreditar que ele poderia”, disse o treinador sobre seu primeiro pupilo.

“César é um em um milhão, mas demorou um tempo para ele acreditar que ele podia vencer. Agora o que sinto é alívio. Nos 50 metros, às vezes o melhor não chega em primeiro.”

Segundo Hawke, a tática usada em Cielo foi fazer o nadador se concentrar apenas em si mesmo, para evitar “uma briga de boxe em que o nadador ficaria preocupado com os adversários e se cansaria”.

Antes de conquistar o ouro olímpico, Cielo subiu três vezes no lugar mais alto do pódio dos jogos Pan-Americanos do Rio (2007). Ele também foi o primeiro brasileiro a superar a barreira dos 22 segundos na prova dos 50 metros livre.

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