3 de Janeiro de 2008 / às 14:11 / 10 anos atrás

China cria atletas de ponta, mas sob duros sacrifícios

Por Liu Zhen

<p>Jovem atleta se exercita nas argolas em frente a uma bandeira da China na escola esportiva de Shichahai, em Pequim. Photo by David Gray</p>

PEQUIM (Reuters) - O sistema público de incentivo ao esporte adotado pela China é alvo de algumas críticas, mas os que se beneficiaram dele parecem convencidos de que esse continua a ser o segredo do sucesso esportivo do país.

Atualmente, há 23 mil atletas patrocinados pelo Estado chinês dentro da estrutural piramidal que forma o sistema de incentivo ao esporte. E todas as medalhas de ouro a serem obtidas pelo país nas Olimpíadas de Pequim, em agosto, serão um produto desse sistema.

Na base da pirâmide encontram-se escolas como a de Shichahai, na região central de Pequim, onde as crianças de 6 anos para cima começam a treinar e a sonhar em tornarem-se os campeões mundiais do futuro.

“Quero defender a China nas Olimpíadas”, afirmou à Reuters Yu Jingjing, 12, que mora em Pequim. “Quero ser como Zhang Yining.”

Com exceção da estrela das artes marciais Jet Li, o mesa-tenista Zhang Yining é provavelmente o nome mais conhecido a se formar em uma escola responsável por treinar seis campeões olímpicos e que representa um produto típico do sistema de incentivo ao esporte.

“Nunca comprei uma única raquete ou um par de tênis desde que comecei a praticar tênis de mesa, aos 5 anos de idade”, afirmou recentemente Zhang, que conquistou duas medalhas de ouro nos Jogos Olímpicos de Atenas.

“Tudo foi fornecido pelo Estado e eu nunca me preocupei com nada mais que não fosse o tênis de mesa.”

Shichahai, uma das 200 escolas modelo em termos esportivos, treina mais de 600 estudantes em oito categorias e, ao mesmo tempo, fornece educação básica para todos eles. A escola foi criada 49 anos atrás.

Cerca de metade dos estudantes pagam para frequentá-la enquanto a outra metade integra a chamada “reserva profissional” -- todos recebem treinamento, formação escolar, comida e moradia do governo, a um preço de cerca de 30 mil iuans (4.053 dólares) anuais para cada um.

Testes são realizados anualmente para o ingresso de atletas capazes de substituir os que não passam de ano e para permitir que técnicos das Províncias e dos times nacionais possam avaliar os novos talentos.

Os melhores alunos das escolas esportivas ingressam nas equipes de Província como “atletas registrados do Estado.” E os melhores dentre esses, como Zhang, passam a fazer parte das equipes nacionais e representam a China em competições realizadas fora do país.

No caso de modalidades populares, entre as quais o tênis de mesa, chegar ao patamar profissional revela-se algo extremamente difícil.

“Crescemos sob uma pressão imensa, competindo uns contra os outros”, disse recentemente Wang Nan, duas vezes medalhista de ouro em Olimpíadas.

“Nenhum de nós conquistava títulos facilmente,” acrescentou a atleta. “Precisamos ser os mais fortes para sobrevivermos à acirrada competição interna.”

Reportagem de Liu Zhen e Nick Mulvenney

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