18 de Abril de 2008 / às 12:04 / em 10 anos

Tocha olímpica chega a Bangcoc, Japão muda rota por segurança

Por Panarat Thepgumpanat

<p>Princesa da Tail&acirc;ndia Maha Chakri Sirindhorn observa a tocha durante cerim&ocirc;nia em Bangcoc, nesta sexta-feira. Photo by Stringer</p>

BANGCOC (Reuters) - A tocha olímpica chegou à Tailândia na sexta-feira sob forte esquema de segurança, e as autoridades se disseram preparadas para impedir qualquer tentativa de manifestantes para apagá-la.

Vários grupos planejam protestos em Bangcoc contra a situação dos direitos humanos na China, especialmente no Tibete. O general Yuthasak Sasiprapa, chefe do comitê olímpico local, disse que as manifestações serão permitidas, desde que sejam pacíficas.

“Mas não vamos tolerar quaisquer protestos ilegais ou violentos. A tocha e os corredores serão escoltados de perto por motos e patrulhas policiais ao longo de toda a rota”, acrescentou ele à Reuters.

Temendo distúrbios, um importante templo budista na região central do Japão desistiu de servir de ponto de partida para o trajeto da tocha nesse país, na semana que vem.

O templo Zenkoji, de Nagano, disse ter recebido cerca de mil cartas de todo o Japão pedindo para que o local não recebesse a tocha no dia 26, em protesto contra a repressão chinesa a manifestações no Tibete, em março, quando vários monastérios foram invadidos e monges foram presos.

“Precisamos pensar na segurança, sendo um templo com tesouros nacionais e muitos visitantes”, disse um funcionário do Zenkoji.

Tóquio já anunciou que os guardas chineses que protegem a tocha com mão-de-ferro em outros países não serão bem-vindos nessa etapa.

Em sua longa viagem, começando na Grécia e passando por várias cidades do mundo até a cerimônia de abertura da Olimpíada de Pequim, em 8 de agosto, a tocha olímpica está sendo alvo de inúmeros protestos contra o regime chinês.

Na etapa anterior, na Índia, 15 mil policiais foram mobilizados para conter os manifestantes, já que o país tem a maior comunidade mundial de tibetanos no exílio.

A polícia tailandesa espera a presença de cerca de cem manifestantes em frente à sede regional da ONU, no percurso de 10,5 quilômetros da tocha, que começa no bairro chinês de Bangcoc e passa pelo palácio real, com suas cúpulas douradas e espiraladas.

O trajeto começa às 15h de sábado (5h em Brasília). Yuthasak disse que há atalhos e rotas alternativas preparados para o caso de “incidentes inesperados”.

BOICOTE

Na China, os protestos contra a tocha olímpica causam uma mistura de irritação e perplexidade, pois a maioria vê neles uma tentativa injusta de atrapalhar um grande momento do país.

Na sexta-feira, a imprensa local noticiou que dois dos principais nomes das artes contemporâneas chinesas, Wang Guangyi e Lu Hao, desistiram de participar de uma exposição na França em junho, em protesto contra a suposta falta de empenho das autoridades francesas para impedir os ataques à tocha quando da sua passagem por Paris.

Wang disse ao serviço Beijing News que ficou “muito chateado” com as propostas de boicote que circulam na França, “então achamos que neste momento específico participar da exposição seria infeliz, e decidimos não ir.”

Na Internet chinesa, muitos usuários defendem um boicote aos produtos franceses e à rede de supermercados Carrefour.

Já a agência estatal Xinhua parece tentar pôr freios aos ímpetos nacionalistas, pedindo à população que se preocupe mais com o crescimento econômico. “O zelo patriótico deve entrar num trilho racional e deve ser transformado em ações concretas para fazer-se bem o seu trabalho”, disse um comentário da agência.

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