25 de Maio de 2008 / às 20:27 / 9 anos atrás

Entre sorrisos e lágrimas, Guga se despede de Roland Garros

Por Pritha Sarkar e Chrystel Boulet-Euchin

PARIS, França (Reuters) - Gustavo Kuerten reavivou brevemente seu caso de amor com Paris neste domingo, antes de se despedir em lágrimas do aberto francês.

O brasileiro desfrutou de uma relação especial com Roland Garros desde que celebrou seu terceiro e último triunfo em 2001 desenhando um coração gigante no saibro da quadra com a raquete. Em seguida ele se deitou perto de sua obra de arte improvisada e atirou beijos à platéia.

Sete anos depois e lutando com um problema no quadril, sua última saudação terminou com uma derrota comovente em 6-3, 6-4 e 6-2 para a esperança local, o tenista Paul-Henri Mathieu.

“Aqui está minha vida, minha paixão, meu amor”, disse Guga, de olhos lacrimejantes e em francês, ao público, depois de ser presenteado com um pedaço da quadra envidraçado.

“É uma alegria que minha família, meu treinador estejam aqui comigo. Mas o mais importante é o amor que vocês me deram”, declarou Kuerten, que venceu o troféu em 1997, 2000 e 2001.

Guga teve lances brilhantes no jogo, incluindo a ocasião em que salvou um ‘match point’ e mereceu aplausos até mesmo de Mathieu.

Mas mesmo recomposto para uma última aparição em sua amada quadra de saibro, um Guga um tanto desajeitado tentou em vão fazer mágica com suas pernas cansadas, e abraçou a aposentadoria diante de uma ovação de pé e dos gritos de ‘Guga’ ressoando nos ouvidos.

A emoção o dominou no final do confronto. Guga, com o rosto coberto por uma toalha, não conseguiu mais segurar as lágrimas.

Depois de ter recebido um último abraço de Mathieu e um troféu de lembrança --um pedaço da quadra envidraçado-- das mãos de Christian Bimes, presidente da Confederação Francesa, Guga se dirigiu ao público em francês.

“Ele é uma grande personalidade e todo mundo o ama. Não conheço uma pessoa que seja que possa dizer algo ruim dele. O esporte vai sentir sua falta”, disse Novak Djokovic, campeão do Aberto da Austrália.

O sérvio disputou a partida de abertura da despedida de Guga e, infelizmente para a platéia, Djokovic levou quase duas horas e meia para impor uma vitória de 4-6, 6-3, 7-5 e 6-2 sobre o alemão Denis Gremelmayr.

TRABALHO DURO

Sua compatriota e vice-campeã de 2007 Ana Ivanovic também teve que trabalhar duro para derrotar a sueca Sofia Arvidsson em parciais de 6-2 e 7-5.

Serena Williams, ansiosa por um segundo troféu do Aberto da França depois de seu êxito em 2002, começou sua campanha com uma vitória impiedosa de 6-2 e 6-1 sobre a também americana Ashley Harkleroad.

Djokovic iniciou o torneio anunciado como a maior ameaça às esperanças de Rafael Nadal de obter seu quarto troféu em Roland Garros, mas durante o primeiro set mais pareceu um novato no saibro.

O sérvio perdeu quatro games consecutivos até absorver a atmosfera local, mas no final das contas fez prevalecer sua experiência para superar Gremelmayr.

“Não estou realmente feliz com meu desempenho hoje. Joguei muito passivamente e ele usou isso, aproveitou as chances e mereceu vencer o primeiro set,” disse Djokovic.

Uma das favoritas para o título feminino depois da surpreendente aposentadoria da número um do mundo Justine Henin duas semanas atrás, Ivanovic iluminou o dia nublado ao pisar na quadra central belamente vestida de rosa.

Mas ela logo sentiu o peso da expectativa. Após passar fácil pelo primeiro set, Ivanovic começou a errar e só reencontrou seu toque na hora H, com parciais de 6-2 e 7-5.

“Este ano sou a número dois e obviamente tenho mais expectativas sobre mim mesma, e isso é algo com que ainda estou aprendendo a lidar”, disse Ivanovic, que cometeu trinta erros não-forçados durante a partida de noventa e seis minutos de duração.

Assim como Guga, Carlos Moya foi outro ex-campeão que não conseguiu sobreviver ao primeiro dia da competição. O espanhol não esteve à altura da tenacidade do argentino Eduardo Schwank e perdeu em parciais de 7-6, 6-2, 6-7, 4-6 e 6-3.

A ex-semifinalista Nicole Vaidisova tampouco conseguiu interromper sua série de fracassos ao ser abatida em 7-6 e 6-1 pela amiga e conterrânea tcheca Iveta Benesova. Foi a sexta derrota consecutiva da 15 cabeça-de-chave em 2008.

James Blake garantiu que não haveria repetição do pesadelo do ano passado para seu país, quando pela primeira vez em quarenta anos nenhum americano chegou à segunda rodada em Paris. Ele venceu por 6-4, 6-1 e 7-6 o alemão Rainer Schuettler.

O argentino David Nalbandian e o britânico Andy Murray também passaram para a próxima rodada.

0 : 0
  • narrow-browser-and-phone
  • medium-browser-and-portrait-tablet
  • landscape-tablet
  • medium-wide-browser
  • wide-browser-and-larger
  • medium-browser-and-landscape-tablet
  • medium-wide-browser-and-larger
  • above-phone
  • portrait-tablet-and-above
  • above-portrait-tablet
  • landscape-tablet-and-above
  • landscape-tablet-and-medium-wide-browser
  • portrait-tablet-and-below
  • landscape-tablet-and-below