25 de Junho de 2014 / às 22:40 / em 3 anos

Jogadores muçulmanos na Copa enfrentam decisão sobre ramadã

RECIFE (Reuters) - A fase de mata-mata da Copa do Mundo coincide com o início do ramadã e os jogadores muçulmanos devem decidir se vão aderir ao jejum religioso, com duração de um mês, que começa no fim de semana.

Trabalhadoras muçulmanas realizam checagem final de produtos em fábrica de bolas para a Copa do Mundo na província de Punjab, Paquistão. 16/5/2014 REUTERS/Sara Farid

França, Alemanha, Suíça, Bélgica, Argélia e Nigéria estão entre as seleções que possuem jogadores muçulmanos, que devem optar se vão se submeter ao período de 30 dias de jejum e reflexão.

Durante o ramadã, o nono e mais sagrado mês do calendário islâmico, espera-se que todos os muçulmanos adultos e sadios deixem de comer e beber durante a luz do dia.

Esse cenário poderia causar estragos no caso de atletas de elite, com dietas cuidadosamente controladas, especialmente nas condições húmidas e quentes nas quais alguns jogos têm sido disputados no Brasil.

“O desafio principal é tentar manter a hidratação diariamente, e em segundo lugar tentar manter os níveis de energia”, disse Emma Gardner, nutricionista do Instituto Inglês do Esporte, à Reuters.

“A massa muscular também é um problema. As pesquisas apontam que as pessoas podem perder massa ao longo do período do ramadã, embora a tendência é que isso ocorra no período inicial”, disse ela.

As observações de Gardner contrastam com as feitas por Jiri Dvorak, diretor-médico da Fifa, que disse em uma coletiva de imprensa na segunda-feira que os jogadores submetidos ao jejum não teriam qualquer deterioração em sua condição física.

“Fizemos extensos estudos em jogadores durante o ramadã, e a conclusão foi que se o ramadã for acompanhado adequadamente, não há nenhuma redução no desempenho físico dos jogadores”, disse Dvorak aos jornalistas.

OZIL NÃO PODE JEJUAR

O alemão Mesut Ozil é um dos jogadores que já decidiu o que fazer.

“O ramadã começa no sábado, mas eu não vou participar porque estou trabalhando”, disse ele em uma coletiva de imprensa nesta quarta-feira.

“Para jogadores que obedecerem ao jejum durante o Mundial, o momento ideal para jogar seria no fim do dia, pois é mais perto da hora em que podem reabastecer e reidratar”, disse Gardner, que já trabalhou com um jogador de hóquei nessa situação.

“Alguns atletas optam por usar o bochecho, no qual basicamente enxaguam a boca com água, mas ingerem nada”, disse ela, que também já atuou junto ao clube inglês Blackburn Rovers.

A desidratação pode ter um efeito negativo sobre o desempenho. A perda de um ou dois por cento dos fluídos em relação ao peso leva a problemas como falta de concentração.

No entanto, a nutricionista disse que a melhor maneira de auxiliar o jogador em jejum seria consultar seu técnico para assegurar o planejamento adequado da atividade física e recuperação, com a recomendação de que treinem somente uma vez por dia.

Realimentar o corpo sob tais circunstâncias não é fácil, já que toda a ingestão diária deve ser feita à noite.

“Descobri que no intervalo do jejum, para devolver o atleta a um estado hidratado ele deve ingerir cerca de seis litro de fluídos”, disse Gardner. 

“As diretrizes mandam de dois litros e meio a três litros de fluído por dia, então muitas pessoas se surpreendem ao ouvir seis”, acrescentou. 

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