3 de Julho de 2014 / às 20:04 / 3 anos atrás

Chefe antidiscriminação da Fifa lamenta falta de fiscalização nos estádios

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O chefe da Fifa para o combate à discriminação criticou a entidade que governa o futebol mundial nesta quinta-feira por não utilizar funcionários especificamente designados para lidar com abuso racista ou homofóbico entre torcedores nas partidas da Copa do Mundo.

Torcedores do México mostram faixa com mensagem para Fifa, antes de partida contra Croácia na Arena Pernambuco, em Recife. A mensagem em inglês diz: "Querida Fifa, por favor saiba a diferença: (entre) pessoas homossexuais e do mesmo gênero", seguida de uma mensagem homofóbica em espanhol. 23/6/2014 REUTERS/Brian Snyder The Spanish words at the bottom of the banner read, "Faggots who read this! " REUTERS/Brian Snyder (BRAZIL - Tags: SOCCER SPORT WORLD CUP CIVIL UNREST) TEMPLATE OUT.

Jeffrey Webb disse haver uma “desconexão” entre o objetivo declarado da Fifa de acabar com a discriminação nos jogos e seu fracasso em apoiar uma proposta para utilizar pessoal treinado para investigar e relatar casos dessa natureza.

“Não há motivo pelo qual nesta Copa do Mundo não temos representantes anti-discriminação fazendo as devidas investigações e relatos”, disse Webb, presidente da Força Tarefa Anti-Discriminação da Fifa, a repórteres.

Webb, natural das Ilhas Caimã, é também presidente da confederação que representa países das América Central e do Norte e também do Caribe, a Concacaf, além de ser membro do comitê executivo da Fifa.

A Força-Tarefa proposta em março, que treinou funcionários antidiscriminação, deveria ser utilizada no Brasil, mas a ideia não foi aceita, disse Webb em uma coletiva de imprensa diária da Fifa.

“Realmente, este é um dos componentes centrais da luta contra o racismo e da discriminação”, disse Webb.

No caso mais notório envolvendo possível abuso de torcedores na Copa do Mundo no Brasil, o Comitê Disciplinar da Fifa determinou no mês passado que não haveria punição para a federação de futebol do México após torcedores mexicanos terem utilizado a palavra “puto” --que em espanhol tem conotação homofóbica-- contra goleiros durante jogos.

Claudio Sulser, chefe do Comitê Disciplinar, disse na mesma coletiva nesta quinta-feira que a decisão de não punir o México refletiu o fato de que o abuso não foi designado a um jogador em particular.

A Fifa também não aplicou punição contra torcedores alemães que pintaram seus rostos de preto na partida contra Gana, e contra torcedores croatas que mostraram bandeiras e insígnias neo-nazistas.

Webb disse que o caso do México foi o tipo de comportamento que normalmente seria investigado por funcionários anti-discriminação treinados, que já estão presentes em partidas organizadas pela Uefa, que controla o futebol europeu, e outros grupos regionais.

“Isso é exatamente o que estamos tentando trabalhar e deveria ter sido implementado para esta Copa do Mundo”, disse Webb.

“É óbvio que há um desconexão entre o que nós da Força Tarefa consideramos como racismo e discriminação e o que o Comitê Disciplinar considera como racismo e discriminação.”

Outro representante da Fifa disse que o pessoal anti-discriminação da Fifa não foi usado na Copa do Mundo no Brasil porque não houve tempo suficiente para treinar representantes de todos os 32 países participantes entre março, quando a proposta foi feita, e o começo do torneio em junho. O treinamento seria iniciado para eventos futuros, segundo ele.

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