5 de Julho de 2014 / às 19:53 / 3 anos atrás

Brasil enfrenta realidade dura sem Neymar

SÃO PAULO (Reuters) - Nos salões de cabeleireiro, nas padarias e nos parques de todo o Brasil, todos estão balançando a cabeça e murmurando o mesmo nome neste sábado: Neymar.

Neymar sente contusão após joelhada nas costas em jogo contra a Colômbia em Fortaleza. 04/07/2014. REUTERS/Fabrizio Bensch

Qualquer alegria com a vitória de 2 x 1 sobre a Colômbia nas quartas de final da Copa do Mundo na sexta-feira já evaporou, substituída pelo temor de que a seleção não consiga conquistar seu primeiro Mundial em casa sem seu astro atacante.

Neymar, fora do torneio depois de ter uma vértebra fraturada no segundo tempo do jogo, foi de longe o mais criativo, dinâmico e influente do time – tão bom que alguns torcedores acusam os outros jogadores do Brasil de ficar assistindo e esperando que ele faça algo espetacular.

Mas Neymar foi muito mais que isso. Sua combinação de origem humilde e cortes de cabelo nada discretos lhe confere um apelo inigualável junto à classe média emergente que dominou a cultura e a política brasileiras nos últimos anos.

Seu sorriso fácil, onipresente em revistas e outdoors, foi um antídoto sob medida para a pressão massacrante sentida pelo país por sediar a Copa pela primeira vez desde 1950.

“A seleção brasileira perdeu a alma”, disse Marcelo Rodrigues, sacudindo a cabeça enquanto varria o chão de uma barbearia em São Paulo, na manhã deste sábado.

“Não dá para substituir um cara como aquele”, ecoou o cliente João Brandeis Silva. “Uma pena, finalmente o time estava indo bem.”

As manchetes dos jornais neste sábado seguiam a mesma linha, ressaltando muito mais a lesão de Neymar do que a vitória.

“Um golpe para o Brasil”, titulou o caderno de esportes do Globo.

“Sem ele dá?”, indagou a Folha de São Paulo.

Para piorar, o Brasil vai ter que enfrentar a Alemanha na semifinal de terça-feira sem o capitão, Thiago Silva, suspenso depois de receber seu segundo cartão amarelo contra os colombianos.

Alguns até disseram que diminuir as expectativas pode ser uma coisa boa – e que os outros jogadores vão ter que mostrar serviço.

”O Brasil tem que mostrar que consegue sobreviver sem uma estrela... se não conseguir vencer sem Neymar, não merece a Copa”, afirmou Felipe Costa, de 39 anos, operário residente no Rio de Janeiro.

Mas outros ainda estão lamentando.

Um vídeo que fez sucesso no YouTube neste sábado mostra uma criança com a camisa da seleção chorando inconsolavelmente e perguntando “Cadê o Neymar?”

“Está no hospital”, responde a mãe, que tentou consolar a criança, lembrando que o astro brasileiro estará no Mundial de 2018, quando o agora bebê estará grande. Não adiantou, a criança chorou ainda mais.

(Reportagem adicional de Cesar Bianconi, em São Paulo e Paulo Prada no Rio de Janeiro)

Tradução Redação São Paulo, 5511 56447759 REUTERS ES

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