10 de Setembro de 2014 / às 21:59 / em 3 anos

Pelé minimiza racismo no futebol, mas diz que deve ser coibido

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Pelé minimizou nesta quarta-feira ofensas racistas de torcedores no futebol, mas ressaltou que devem ser coibidas e que foi alvo de racismo quando era jogador.

Pelé durante evento em São Paulo em maio. REUTERS/Paulo Whitaker

”Eu acho que tem que coibir, mas tem que saber até que nível. Porque são explosões naturais, que não vai dar para mudar. Se fosse assim, o time brasileiro não podia jogar na América Latina porque a gente ia ter que parar todos os jogos”, declarou o ex-jogador à Reuters, no Rio de Janeiro.

“Se uma pessoa chamar de japonês, ou de alemão, é a mesma coisa”, acrescentou.

O racismo no futebol esteve em evidência no Brasil nos últimos dias, depois que integrantes da torcida do Grêmio chamaram o goleiro Aranha, do Santos, de “macaco” e emitiram sons imitando o animal, em partida no dia 28 de agosto, em Porto Alegre. Aranha reclamou com o árbitro e se mostrou indignado após o jogo.

A equipe gaúcha foi excluída pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD) da Copa do Brasil por causa do episódio, mas recorreu da decisão.

“Eu não quero criticar o Aranha, porque é uma excelente pessoa, um amigão meu, é calmo, é puro, mas foi pego de surpresa. Se ele fizesse a mesma coisa que o Daniel (Alves) fez, quando jogaram uma banana lá na Europa para ele e comeu, você viu que ninguém falou mais nada”, disse Pelé, sobre gesto do lateral brasileiro ocorrido no Campeonato Espanhol, em abril, que gerou repercussão mundial.

Pelé acredita que a reação do goleiro Aranha contribuiu para ”toda essa promoção para quem tem esse tipo de racismo”.

O tricampeão mundial com a seleção brasileira disse ainda que quando era jogador foi vítima de racismo por diversas vezes.

“Na minha época, em todo lugar que a gente jogava na América Latina, Argentina, Uruguai, Paraguai, me chamavam de negro, de macaco, de tudo. A explosão do torcedor, até aqui mesmo quando a gente ia jogar no interior, eles xingavam e não era só eu”, disse.

“Xingavam a gente de todo nome. Eu acho, é claro, que tem que coibir, é uma coisa de racismo e, infelizmente, o racismo não é só contra o negro, é contra o japonês, contra o pobre. Tem que coibir. Mas eu acho que as coisas têm que ser levadas diferente.”

Reportagem de Marta Nogueira

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