April 11, 2018 / 3:47 PM / 5 months ago

ENTREVISTA-Blatter critica nova força-tarefa em processo seletivo de sedes da Copa do Mundo

ZURIQUE (Reuters) - Ex-presidente da Fifa, Joseph Blatter se disse chocado com uma regra incluída no processo de seleção de sedes da Copa do Mundo que pode permitir que uma força-tarefa de cinco homens desclassifique uma candidata antes que uma votação democrática seja realizada.

Blatter concede entrevista à Reuters em Zurique 10/4/2018 REUTERS/Arnd Wiegmann

Em 2011, o Congresso da Fifa, onde cada uma das 211 associações tem direito a um voto, recebeu o direito de escolher as sedes da Copa do Mundo na esteira de uma mudança proposta por Blatter quando ainda comandava a entidade global do futebol.

A primeira escolha do tipo desde então ocorrerá no Congresso de junho em Moscou, e duas propostas estão no páreo: uma conjunta de Estados Unidos, Canadá e México e uma do Marrocos.

Mas primeiro as duas candidaturas precisam passar por uma inspeção técnica de uma força-tarefa de cinco homens, que tem poder para desclassificar uma candidata cuja proposta não seja considerada viável.

Blatter, que em 2015 foi banido do esporte por seis anos por conduta antiética, mas que vem negando qualquer irregularidade e acredita que conseguirá reverter a suspensão, disse à Reuters que as duas candidaturas deveriam ter direito de apresentar suas propostas ao Congresso.

O suíço disse temer “que exista um movimento” por meio do qual uma “força-tarefa especial” receberá poder “para decidir quem será candidato ou não”. “Isto não é possível”, acrescentou.

“Não se pode negar a uma das candidatas (a chance de) ir ao Congresso. Este é um princípio e me atenho a este princípio... fiquei chocado.”

Antes de 2011 a sede do Mundial era decidida pelo comitê executivo da Fifa, que à época tinha 24 membros.

Mas o processo seletivo anterior, que escolheu as sedes de 2018 e 2022, foi eclipsado por alegações de tentativas ilegítimas de influenciar os membros do comitê com direito a voto.

Os torneios foram concedidos à Rússia e ao Catar respectivamente e ao mesmo tempo em uma votação de dezembro de 2010. Uma investigação subsequente da Fifa detalhou várias tentativas de influenciar as autoridades que votam, mas não se sugeriu que a disputa fosse refeita.

Blatter, que comandou a Fifa de 1998 a 2015, também se preocupa com o novo formato de 48 seleções a ser usado no Mundial de 2026.

As seleções serão divididas em 16 grupos de três na primeira fase, com os dois primeiros se classificando para a etapa seguinte.  

“Veremos o que acontecerá com 48 times, mas uma coisa não pode ser desfeita: jogar em grupos de três, porque tivemos este problema na Espanha em 1982”, disse.

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