June 22, 2018 / 4:55 PM / 3 months ago

Neymar precisa de tempo para retomar padrão e Brasil não tem de ser dependente dele, diz Tite

(Reuters) - O técnico Tite afirmou que a seleção brasileira não tem que depender de Neymar na Copa do Mundo e acredita numa evolução do atacante depois de mais uma partida com pouco brilho do jogador na Rússia, nesta sexta-feira, quando ele chorou após a vitória de 2 x 0 sobre a Costa Rica.

Técnico Tite durante partida da seleção brasileira contra a Costa Rica na Copa do Mundo 22/06/2018 REUTERS/Henry Romero

“Ele ficou três meses e meio (sem jogar) e a partida anterior foi a primeira que ele jogou inteira. Ele é um ser humano e precisa de um tempo para retomar um padrão alto, mas antes desse padrão alto, que ele vem retomando, tem uma equipe que tem que ser forte e não tem que ser dependente”, disse o treinador em entrevista coletiva, após a vitória em São Petersburgo que levou o Brasil a 4 pontos no Grupo E do Mundial.

“Toda individualidade aparece se o coletivo estiver forte. É desumano colocar em um atleta apenas a responsabilidade de uma equipe. Todos têm que assumir a responsabilidade para que a individualidade apareça.”

O choro de Neymar após seu gol aos 52 minutos do segundo tempo, marcado após Philippe Coutinho abrir o placar seis minutos antes, foi classificado como um ato de coragem por Tite, que inicialmente disse que não comentaria porque não viu o desabafo do camisa 10.

“De uma coisa eu posso falar, a alegria, a satisfação e o orgulho de representar a seleção brasileira é muito grande. Ele tem a responsabilidade, a alegria, a pressão e a coragem para externar o sentimento. Cada um externa da forma que tem. Eu sou um cara emotivo e respeito as características de cada um”, declarou.

Tite admitiu que o Brasil teve dificuldades no primeiro tempo contra a Costa Rica, porém elogiou o segundo tempo, que teve Douglas Costa no lugar de Willian e Roberto Firmino na vaga de Paulinho, como “aula”.

“Fez grande segundo tempo. Conseguiu botar volume, teve finalizações, (goleiro) Navas jogou muito. Início muito nervoso, errando passes”, afirmou o treinador, que caiu no gramado ao comemorar o primeiro gol, ao ser empurrado pelo goleiro reserva Ederson.

“Rompeu a fibra”, disse ele, sorrindo, sobre a queda e a volta mancando ao banco de reservas.

Segundo Tite, a seleção, que empatou por 1 x 1 na estreia com a Suíça, está devendo em termos criatividade e de construção e “precisa ser um pouco mais equilibrada”.

O treinador fez elogios ao desempenho da dupla de zaga formada por Miranda e Thiago Silva e também a Douglas Costa, que deu mais mobilidade ao time, porém não quis adiantar se fará mudanças no time para as próximas partidas.

Ao colocar o atacante Firmino no lugar do meio-campista Paulinho no segundo tempo, Tite admitiu que fez uma mudança que ainda não tinha sido treinada, porém foi estudada com o atacante do Liverpool.

“Preparamos o atleta para essa função, nós criamos algumas alternativas táticas, a gente ainda está descobrindo as virtudes dos atletas”, declarou. “O Douglas tem amplitude, na direita ou esquerda, essa é a vantagem de ter peças de reposição. Preparar os atletas é responsabilidade nossa.”

Sobre o pênalti assinalado em Neymar e retirado após análise do árbitro de vídeo, Tite afirmou que teria marcado a penalidade, mas respeita a posição da arbitragem, e pediu que os lances sejam todos revisados, se referindo a lances do jogo anterior, contra a Suíça, em que o Brasil reclamou de falta em Miranda no gol do rival e de um pênalti em Gabriel Jesus.

“Eu assisti o lance (sobre Neymar). Tanto pode dar como não dar. Se eu sou eu árbitro, cal, mas respeito porque é passível de interpretação”, disse ele, que orienta sua equipe a não reclamar com a arbitragem, embora alguns atletas tenham se dirigido ao árbitro no final do primeiro tempo.

“Não precisamos de arbitragem para vencer. Queremos que ela seja justa e que, tal como foi olhado agora, tivesse sido olhado antes. Olhe para todos, seja igual para todos”, acrescentou o treinador brasileiro, que disse que não está vendo os jogos da Copa do Mundo para se dedicar à seleção.

Por Tatiana Ramil, em São Paulo

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