June 23, 2018 / 2:27 PM / 3 months ago

Suíços aplaudem vitória sobre a Sérvia, mas criticam comemorações de gols

(Reuters) - A vitória de 2 x 1 da Suíça sobre a Sérvia provocou uma reação mista na imprensa suíça, que aplaudiu a virada conquistada pela equipe no segundo tempo do duelo, mas criticou as comemorações de Granit Xhaka e Xherdan Shaqiri, que pareceram ter conotações políticas.

Granit Xhaka, da seleção da Suíça, comemora gol marcado contra a Sérvia na Copa do Mundo 22/06/2018 REUTERS/Gonzalo Fuentes

Depois de ficar atrás no placar aos cinco minutos de jogo, a Suíça desafiou a atmosfera de caldeirão montada pelos torcedores sérvios ao reagir com o gol de empate de Xhaka e a virada no último minuto de Shaqiri.

Os dois jogadores, que são de etnia albanesa ou tem ascendência do Kosovo, comemoraram com um gesto que parece imitar a águia da bandeira da Albânia.

A Sérvia se recusa a reconhecer a independência do Kosovo, sua ex-província, cuja maior parte da população de 1,8 milhão de pessoas é de etnia albanesa.

Imigrantes de segunda geração dos Balcãs têm desempenhado papel importante na seleção da Suíça nos últimos 10 anos.

Jogadores como Valon Behrami —que está em sua quarta Copa do Mundo—, Xhaka e Shaqiri trouxeram talento e paixão a uma equipe que no passado não mostrou nenhum desses dois elementos.

Mas seus esforços na sexta geraram reações mistas da mídia suíça.

“Xherdan Shaqiri e Granit Xhaka têm pés talentosos como nenhum outro nesta seleção. Mas sua sensibilidade política e consciência social deixam muito a desejar”, disse o NeueZuercher Zeitung (NZZ).

O tabloide Blick adotou linha parecida. “(Xhaka e Shaqiri) jogaram com coração, mas esqueceram-se de manter a cabeça fria quando comemoraram, e esta é a grande falha desta grande noite.”

Xhaka e Shaqiri, dois jogadores articulados e que falam várias línguas, nunca foram tímidos ao tratar de sua herança.

Em 2012, o comentarista da TV suíça Sascha Ruefer gerou controvérsia com declarações sobre uma chance de gol perdida por Xhaka em jogo das eliminatórias da Copa contra a Albânia, num momento da partida em que a Suíça já vencia por 2 x 0.

“O que foi aquilo? Tudo que ele tinha que fazer era empurrar para o gol. Queria ver de novo... Presumivelmente, Xhaka não ficou triste de não ter marcado contra a Albânia”, disse.

Ruefer negou ter o objetivo de insultar Xhaka, mas reconheceu que seu comentário foi “um pouco infeliz”.

Xhaka apoiou a campanha de Kosovo para se tornar membro da Fifa e chegou a considerar a possibilidade de jogar pelo país antes de optar pela Suíça.

Os jogadores insistiram que não havia nada para ver em suas comemorações.

“Para mim foi um dia realmente especial”, disse Xhaka. “É uma vitória para minha família, para a Suíça, para a Albânia, para Kosovo. O gesto foi para todos que me apoiaram, não teve nossos adversários como alvo. Foi um jogo realmente emotivo.”

Shaqiri disse: “Não tem nada a ver com política, é sobre futebol”.

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