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Serena Williams se considera "desvalorizada" como mulher negra no tênis

(Thomson Reuters Foundation) - Serena Williams disse que foi “paga a menos (e) desvalorizada” como mulher negra no tênis, aplaudindo o movimento Black Lives Matter por lançar luz sobre o racismo enraizado, de acordo com comentários publicados pela edição britânica da revista Vogue.

Jogadora norte-americana Serena Williams, em Roland Garros, Paris, França 28/09/2020 REUTERS/Christian Hartmann

A estrela dos Estados Unidos, que ganhou 23 títulos de Grand Slam e falou abertamente sobre sexismo e racismo durante sua carreira, disse que a tecnologia também teve um papel fundamental para destacar a discriminação racial e a violência.

“Agora, nós, como negros, temos uma voz --e a tecnologia tem sido uma grande parte disso”, afirmou ela em uma entrevista para a edição de novembro de 2020 da Vogue britânica.

“Vemos coisas que estiveram escondidas por anos; as coisas pelas quais nós, como pessoas, temos que passar. Isso vem acontecendo há anos. As pessoas simplesmente não conseguiam pegar seus telefones e gravar isso antes.”

“Eu acho que, por um minuto, eles (os brancos) começaram --não a entender, porque eu não acho que se possa entender--, mas eles começaram a ver”, acrescentou ela.

“Eu estava tipo: bem, você não viu nada disso antes? Tenho falado sobre isso durante toda a minha carreira. Tem sido uma coisa após a outra.”

Williams está entre as estrelas do tênis mais conhecidas e bem-sucedidas do mundo, junto com sua irmã Venus, e já destacou repetidamente o preconceito que enfrentou dentro e fora das quadras.

Ela boicotou o torneio BNP Paribas Open, no resort California Indian Wells, por 14 anos depois de receber comentários racistas em 2001, um incidente que ela disse tê-la deixado chorando no vestiário por horas.

Em 2018, ela apontou o sexismo após perder um ponto por quebrar sua raquete em ato de frustração no Aberto dos Estados Unidos, com a pioneira do tênis feminino Billie Jean King elogiando-a por expor um “padrão duplo” para as jogadoras.

Mas Williams, de 39 anos, disse à Vogue britânica que tem orgulho de representar “belas mulheres negras” e espera que as atitudes possam estar mudando gradualmente.

“Talvez isso não melhore a tempo para mim, mas alguém na minha posição pode mostrar às mulheres e pessoas de cor que temos uma voz, porque Deus sabe que eu uso a minha”, disse ela.

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