12 de Fevereiro de 2016 / às 15:01 / em 2 anos

Competidores demonstram preocupação com Zika em evento-teste da Rio 2016, diz ex-atleta

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Atletas internacionais que participarão de um evento-teste de saltos ornamentais para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro estão preocupados com o surto de Zika vírus e têm perguntado sobre os riscos da doença na cidade, afirmou nesta sexta-feira o ex-saltador brasileiro Cassius Duran, que trabalha na organização da competição.

Atleta salta no parque aquático Maria Lenk. 12/07/2003 REUTERS/Jim Young

Apesar das preocupações, todos os competidores inscritos para disputar uma etapa da Copa do Mundo da modalidade no parque aquático Maria Lenk, entre 19 e 24 de fevereiro, estão confirmados no evento e não houve nenhum pedido de cancelamento até o momento, de acordo com Duran.

“Estão preocupados e estão sendo orientados sobre como devem proceder”, disse o ex-atleta, que atualmente trabalha no Comitê Rio 2016, durante a inauguração das obras de adaptação do Maria Lenk para a Olimpíada.

Como ex-competidor que disputou três Olimpíadas, além de muitas outras provas internacionais, Duran disse que tem recebido perguntas de competidores de outros países sobre o Zika vírus, que é transmitido pelo mosquito Aedes aegypti, o mesmo transmissor da dengue.

“Tem amigo de fora que pergunta como está a situação. A gente fala que existe a situação no Brasil hoje e que a gente consegue contornar de várias formas, usando repelente em qualquer local que a gente vai”, afirmou.

“Os atletas estão orientados, as delegações estão orientadas e nós estamos fazendo o nosso dever de casa de manter o local adequado para evitar essas possíveis contaminações”, acrescentou Duran.

A etapa do Rio da Copa do Mundo de saltos ornamentais é um dos eventos-teste dos Jogos de mais elevado nível técnico, uma vez que serve como principal meio de classificação para a Olimpíada. Estão inscritos 270 atletas de 50 países, incluindo boa parte da elite da modalidade.

O Zika vírus está causando alarme mundial desde que se alastrou pelas Américas, e desperta preocupações entre autoridades esportivas de todo o mundo no momento em que as delegações se preparam para a Rio 2016.

O Brasil, país mais afetado pelo Zika, estabeleceu no ano passado a relação entre o vírus e um surto de microcefalia em recém-nascidos na Região Nordeste do país, o que aumentou os temores sobre a doença. Essa relação ainda não foi confirmada pela Organização Mundial da Saúde (OMS), mas a entidade declarou nesta sexta que isso deve ocorrer dentro de semanas.

O Comitê Olímpico dos Estados Unidos (Usoc) disse a federações esportivas do país que atletas e funcionários temerosos do Zika vírus deveriam cogitar não disputar a Olimpíada, enquanto o treinador da atual campeã olímpica do heptatlo, a britânica Jessica Ennis-Hill, afirmou que não vai incentivar a atleta a defender o título no Rio.

O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, também presente à reinauguração do Maria Lenk -instalação construída para os Jogos Pan-Americanos de 2007 e adaptada para a Olimpíada- buscou tranquilizar os atletas e turistas sobre a segurança de vir à cidade para os Jogos.

“Nós estamos fazendo de tudo para evitar qualquer perigo de qualquer atleta, qualquer visitante que venha ao Rio e ao Brasil”, disse Paes. “Acho que há um certo exagero e desconhecimento. Assusta mais pelo desconhecimento que se tem.”

Os Jogos Olímpicos do Rio acontecem de 5 a 21 de agosto.

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