7 de Junho de 2016 / às 16:11 / um ano atrás

Polícia Federal faz busca para investigar fraude em obra da Olimpíada

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A Polícia Federal fez uma operação nesta terça-feira nos escritórios do consórcio responsável pela construção de instalações olímpicas em Deodoro que receberão eventos dos Jogos Rio 2016, como parte de uma investigação sobre corrupção.

Vista aérea das instalações olímpicas de Deodoro, no Rio de Janeiro. 25/04/2016 REUTERS/Ricardo Moraes

A PF disse em comunicado que cumpriu mandados de busca e apreensão na sede do consórcio, formado pelas construtoras OAS e Queiroz Galvão, e apreendeu uma grande quantidade de documentos, além de computadores e aparelhos celulares.

“As investigações apontam para fraudes no transporte e na destinação dos resíduos sólidos, com a falsificação de documentos públicos e a oneração de custos”, disse a PF em nota.

De acordo com a polícia, também foram cumpridos mandados de busca e apreensão nos escritórios de duas empresas que teriam prestado serviços à construtora responsável pela execução das obras, assim como no endereço de uma bióloga que, segundo indícios, teria sido responsável pela confecção de manifestos de resíduos falsificados. A Polícia Federal não informou os nomes dessas empresas.

“O acréscimo no custo da obra pode ter sido causado pela alteração do trajeto realizado pelos caminhões, pela escolha de um intermediário para o pagamento do serviço de destinação (em vez da contratação direta do aterro que receberia os resíduos) e pela possibilidade de os serviços sequer terem sido executados conforme cálculo apresentado pelo Consórcio”, disse a PF.

Ainda segundo a PF, a Justiça determinou o bloqueio de 128 milhões de reais que seriam destinados pela Caixa Econômica Federal ao pagamento do Consórcio Complexo Deodoro por causa dos elementos colhidos pela investigação até o momento.

A operação representa o mais recente passo de investigações sobre suspeitas de corrupção envolvendo projetos olímpicos, tanto de arenas como de legado, dos primeiros Jogos a serem realizados na América do Sul, que começam em 5 de agosto.

As construtoras Queiroz Galvão e OAS são alvo também das investigações da operação Lava Jato, que apura um bilionário esquema de corrupção na Petrobras envolvendo outras empresas, partidos e políticos.

Nesta terça-feira, a Queiroz Galvão disse em comunicado que está cooperando com as autoridades. A OAS não respondeu a um pedido de comentário.

Procuradores federais disseram à Reuters no mês passado que estão investigando todos os projetos relacionados aos Jogos que receberam recursos federais, o que inclui obras e serviços em Deodoro e também no Parque Olímpico da Barra. [nL2N18M1HO]

O comitê organizador Rio 2016 disse, por meio do diretor de Comunicação, Mario Andrada, que tanto os organizadores como a Prefeitura do Rio cobram transparência de todas as empreiteiras contratadas para serviços da Olimpíada. Segundo Andrada, a investigação não terá impacto nas obras de Deodoro.

A Prefeitura do Rio afirmou, em comunicado, que está acompanhando de perto a investigação sobre Deodoro e que todos os pagamentos ao consórcio investigado permanecem suspensos até que o inquérito seja concluído.

O Complexo de Deodoro é o segundo principal pólo de instalações esportivas dos Jogos Olímpicos. Lá serão disputadas modalidades como hipismo, pentatlo moderno, tiro, rúgbi, canoagem slalom e hóquei sobre a grama.

As obras no local, estimadas em mais de 800 milhões de reais, demoraram a sair do papel e eram consideradas umas das maiores preocupações dos organizadores dos Jogos até recentemente, quando finalmente entraram no cronograma previsto.

A Olimpíada do Rio acontece de 5 a 21 de agosto.

Reportagem de Brad Brooks

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