13 de Julho de 2016 / às 23:02 / um ano atrás

Velejadores alemães minimizam risco de doença em águas do Rio, mas se preocupam com lixo

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Velejadores olímpicos da Alemanha, um deles infectado no ano passado por uma bactéria resistente a antibióticos após um evento-teste nas águas poluídas da Baía de Guanabara, disseram nesta semana que estão menos preocupados com os riscos à saúde do que com terem de disputar as provas de vela da Rio 2016 com correntes complicadas e em meio a lixo flutuante.

Peixes mortos e lixo na Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro. 24/2/2015. REUTERS/Ricardo Moraes

A três semanas do início das competições de iatismo dos Jogos do Rio, três candidatos a medalha da forte equipe alemã disseram à Reuters, na terça-feira, que sacos e garrafas de plástico, pedaços de pau e outros objetos flutuantes, inclusive um cachorro morto visto recentemente, tornarão ainda mais difícil velejar em uma dos locais mais desafiadores em Jogos Olímpicos.

Segundo os velejadores, esses fatores afetarão sua performance nas raias olímpicas, chamadas de “playground” por eles, mais do que a presença de patógenos causadores de doenças nas águas do Rio, que tem sido foco de grande preocupação antes dos Jogos.

“Acho que a gente não se preocupa muito sobre as questões de saúde”, disse Erik Heil, timoneiro do barco alemão da classe 49er.

Quase um ano atrás, após o evento-teste da vela para os Jogos do Rio, Heil precisou receber tratamento na Alemanha para uma bactéria resistente a antibióticos que provocou pequenos ferimentos em sua perna.

“Não sabemos a razão, pode ter sido a água, pode ter sido um mosquito, pode ter sido outra coisa”, disse, acrescentando que está mais preocupado com os sacos plásticos e outros lixos que podem danificar seu barco na Olimpíada.

As raias olímpicas de vela dentro da Baía de Guanabara enfrentam marés diárias que empurram enormes volumes de água, esgoto e detritos para fora da boca da barra da baía, sendo substituídas mais tarde por água do mar mais limpa a partir do oceano Atlântico.

Os detritos tendem a se concentrar ao longo das linhas de correntes e entradas e saídas de marés, disseram o companheiro de barco de Heil, Thomas Ploessel, e o representante alemão na classe Laser, Philipp Buhl. Tirar proveito das correntes pode significar colocar o barco perto demais de lixo flutuante, segundo eles.

Essas correntes são influenciadas também por pedras no fundo do mar. Montanhas e prédios que cercam a baía mudam os ventos às vezes muito fracos, e podem direcionar rajadas de forma imprevisível. As raias fora da baía enfrentam ondas altas e fortes ventos, segundo eles.

Essa série de desafios coloca as questões de saúde em segundo plano para os atletas, de acordo com Buhl.

“Esse é provavelmente o lugar mais sujo que já velejei, mas não posso me preocupar muito com isso. Só estou ansioso por uma competição justa”, disse Buhl. “Até agora, eu estive aqui cinco vezes e voltei para casa saudável cinco vezes.”

Reportagem adicional de Thales Carneiro

0 : 0
  • narrow-browser-and-phone
  • medium-browser-and-portrait-tablet
  • landscape-tablet
  • medium-wide-browser
  • wide-browser-and-larger
  • medium-browser-and-landscape-tablet
  • medium-wide-browser-and-larger
  • above-phone
  • portrait-tablet-and-above
  • above-portrait-tablet
  • landscape-tablet-and-above
  • landscape-tablet-and-medium-wide-browser
  • portrait-tablet-and-below
  • landscape-tablet-and-below