18 de Julho de 2016 / às 17:01 / em um ano

Nadia Comaneci continua a impressionar 40 anos depois de nota 10

LONDRES (Reuters) - Outrora uma adolescente romena que usava rabo de cavalo e se empolgava com a ideia de ter meias coloridas e mastigar chiclete, Nadia Comaneci cativou o mundo ao realizar um feito olímpico que continua despertando emoções quatro décadas mais tarde.

Bart Conner e Nadia Comaneci em cerimônia de premiação do Golden Globe, em Beverly Hills 11/1/2015 REUTERS/Danny Moloshok

O rabo de cavalo ficou para trás há muito tempo, os anseios infantis foram substituídos por gostos mais sofisticados, mas, onde quer que vá, Comaneci não consegue fugir das lembranças do que aconteceu no dia 18 de junho de 1976 em Montreal, no Canadá, o dia em que se tornou a primeira ginasta a receber uma nota 10 em uma Olimpíada.

“Toda vez que tem um zero no aniversário, parece que fica maior. Teve o de 10 anos, depois 20, depois 30 e agora 40, parecem muitos números. É como se metade de sua vida tivesse passado”, disse Comaneci à Reuters em uma entrevista por telefone durante férias curtas na Califórnia com a família.

“Mas perceber que se passaram 40 anos desde que aconteceu, é algo do tipo ‘meu Deus, é sério?'”

“Por ser o 40º ano, sinto como se estivesse comemorando o aniversário o ano inteiro. Todos que encontro este ano querem falar disso.”

As comemorações devem continuar nas próximas semanas, já que Comaneci irá a Montreal no dia 21 de julho, quando seu filho Dylan, de 10 anos, terá a chance de ver pela primeira vez o Estádio Olímpico “onde o nome de sua mãe está gravado”.

Depois será a vez da Olimpíada do Rio de Janeiro de 2016, entre 5 e 21 de agosto.

O aniversário será passado junto com a família. Para ela e para seu marido, o também campeão olímpico Bart Conner, a lembrança da ocasião continua vívida mesmo depois de 14.610 dias.

“Lembro que, quando comecei a fazer a (sequência) obrigatória (nas barras assimétricas), pensei que tinha feito uma sequência muito boa, mas não pensei que tinha feito a sequência perfeita”, contou a ex-atleta de 54 anos, que hoje vive no Estado norte-americano de Oklahoma.

“Eu sei que não queria olhar o placar, porque já estava pensando na trave depois que terminei.”

“Aí ouvi um barulho enorme na plateia, olhei ao redor, virei a cabeça e vi o placar. Vi primeiro o 073, que era meu número de competidora, e a nota 1.00 embaixo”.  

“Olhei para uma das minhas companheiras de equipe e ela deu de ombros, mostrando que havia alguma coisa errada com o placar. Tudo aconteceu muito rápido”, lembrou. 

Como os juízes não esperavam que nenhum ginasta atingisse a perfeição, o placar eletrônico instalado em Montreal não tinha espaço suficiente para acomodar os quatro dígitos e ilustrar a marca perfeita.

“O fato de que o placar não podia mostrar o 10 aumentou o drama, o tornou maior”, disse ela, rompendo em risos.

Conseguir o primeiro 10 da história foi um momento tão transcendental que muitas pessoas parecem se esquecer que Comaneci conquistou três medalhas de ouro naquela Olimpíada e mais duas em Moscou quatro anos mais tarde.  

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