21 de Agosto de 2016 / às 21:42 / em um ano

Aclamado após seis pódios seguidos, Bernardinho coloca em dúvida permanência na seleção

RIO DE JANEIRO (Reuters) - Enquanto os jogadores da seleção masculina de vôlei recebiam as medalhas de ouro na quadra do Maracanãzinho, o técnico Bernardinho observava de longe, com uma das filhas nos ombros, àquela que pode ter sido a sua última festa por um pódio olímpico como treinador da seleção brasileira.

Bernardinho na final olímpica. 21/08/2016 REUTERS/Dominic Ebenbichler

Ovacionado pela torcida na arena lotada após a conquista em casa, seu sexto pódio olímpico consecutivo, o técnico de 56 anos disse que ainda não decidiu se vai permanecer à frente da equipe para um próximo ciclo olímpico, alegando que precisa repensar a vida após 23 anos se dividindo entre o comando das seleções feminina e masculina e de clubes.

“Nos próximos 15 dias não me liguem porque não vão me encontrar. Se quiser me encontrar pega a bicicleta e vai atrás de mim, porque eu vou pedalar, sair, eu preciso pensar um pouquinho na vida, porque eu não respirei até agora”, disse o treinador a repórteres depois da vitória por 3 sets a 0 sobre a Itália na final olímpica.

“Não quero antecipar nem criar nada disso, mas quero poder pensar um pouco na vida, eu preciso pensar, não dá para ficar 365 dias por ano assim. Não dá mais... Chega uma hora que você precisa pensar”, acrescentou.

Bronze com as mulheres em 1996 e 2000, prata com os homens em 2008 e 2012 e ouro também no masculino em 2004 e 2016, Bernardinho é o principal treinador do Brasil em esportes olímpicos em números totais de medalha.

Paralelamente a isso, sempre treinou clubes durante os períodos de recesso dos jogos da seleção, em uma carreira recheada de conquistas, mas que deixou como consequência um certo afastamento da família, de acordo com o treinador.

“Eu sou um devedor da vida, mas estou devendo muito para outras pessoas. Não vi minha filha de 6 anos nascer, a de 14 anos eu tenho perdido muitas coisas também. Chega uma hora que você precisa pensar. Eu tenho duas frentes, preciso escolher”, disse o técnico, indicando que deve optar por seguir em apenas um dos trabalhos, clube ou seleção, uma vez que deixar o vôlei em definitivo está descartado.

“Eu não conseguiria viver sem a quadra, sem o treinamento. Isso aqui (Olimpíada) é especial, mas a gente não tem isso sempre. Mas o dia a dia para mim é o que me alimenta. Eu preciso desse tempo para pensar”, afirmou Bernardinho, que em 2014 passou por um tratamento para retirar um tumor do rim.

Apesar de ter levado o Brasil a seis pódios olímpicos, o treinador não tem uma medalha sequer, já que apenas os atletas são premiados. Para Bernardinho, no entanto, a festa da torcida no Maracanãzinho foi o seu ouro.

“A minha medalha de ouro é que eu estava ali atrás com a minha filha pequena, ver os rapazes lá em cima e a torcida toda gritando é campeão, com o hino nacional, a bandeira subindo, com todo mundo chorando por causa da emoção tão grande de tanta coisa represada ali dentro, toda essa vontade de ser o campeão que a torcida realmente esperava”, disse.

Edição de Eduardo Simões

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