June 8, 2018 / 6:12 PM / in 5 months

Bicampeonato mundial ainda desperta sentimentos contraditórios em Pepe

SANTOS (Reuters) - Conquistar a Copa do Mundo é o auge absoluto para a maioria dos jogadores de futebol, mas alcançar este feito não uma, mas duas vezes, ainda gera sentimentos contraditórios no ex-ponta Pepe. O motivo? Ele não entrou em campo.

Ex-jogador Pepe durante entrevista à Reuters em Santos 07/06/2018 REUTERS/Leonardo Benassatto

“Deixa uma pontinha de mágoa, né? Não ter podido participar contra minha vontade, porque eu gostaria de ter jogado. Mas faz parte”, disse Pepe, um dos três homens a ter duas medalhas de campeão mundial sem ter disputado um jogo sequer, e o único ainda vivo, à Reuters.

“Na seleção eu não fui muito feliz. Me machuquei exatamente nas duas Copas, 1958 na Suécia e 1962 no Chile. Tive lesões seríssimas de não conseguir me recuperar”, afirmou.

“Essa tristeza e depois alegria de ser campeão, que eu fiz parte de um grupo forte, vencedor. Me considero bicampeão mundial, mesmo com todas esse problemas.”

Pepe, apelido de José Macia, era a escolha titular para a ponta-esquerda do Brasil antes da Copa de 1958.

Ele estava em boa forma, marcando gols, mas machucou o tornozelo na última partida de preparação para o Mundial, contra a Inter de Milão, e foi substituído por Zagallo.

Zagallo não era uma ameaça tão grande no ataque, mas se adaptava mais em recuar defensivamente e jogou bem pela seleção, que na época tinha Pelé com 17 anos e conquistou sua primeira Copa.

Pepe retomou a titularidade após o Mundial, e estava a caminho de entrar na equipe que defenderia o título quatro mais tarde no Chile.

No entanto, a tragédia voltou a atingi-lo. Na última partida preparatória, contra o País de Gales, Pepe saiu de campo mancando e foi obrigado a assistir do lado de fora quando o Brasil conquistava o bicampeonato em Santiago.

Agora com 83 anos, ele ainda mora em Santos e é adorado na cidade que abriga o clube pelo qual marcou 405 gols, menos somente do que Pelé.

Ele conquistou duas vezes a Copa Libertadores, o Mundial de Clubes também duas vezes e representou o Brasil por 41 vezes, marcando 22 gols.

Quando se aposentou dos gramados, Pepe tornou-se treinador e chegou a comandar um certo Pep Guardiola no Al Ahli, da Arábia Saudita.

Mais de meio século depois de sua dupla frustração em Mundiais, as pessoas ainda o perguntam sobre sua dúbia proeza.

E a cada quatro anos, esses questionamentos aumentam.

“Não incomoda estar sempre sendo lembrado, requisitado para entrevista”, garantiu.

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