February 17, 2019 / 6:10 PM / 9 months ago

De olho na Copa do Mundo, Catar quer desenvolver setor esportivo de US$20 bi

DOHA (Reuters) - O Catar quer atrair mais empresas esportivas para o país, com o objetivo de desenvolver um setor de esportes que movimente 20 bilhões de dólares até a Copa do Mundo de 2022, disse uma autoridade neste domingo.

O Centro Financeiro do Catar (QFC, na sigla em inglês) - que licencia empresas estrangeiras, principalmente do setor financeiro, para que sejam isentas de leis de propriedade local - pretende licenciar cerca de 150 empresas esportivas até 2022.

Isso incluiria cerca de 25 empresas a serem licenciadas já neste ano, disse Yousuf Al-Jaida, CEO da QFC, em evento para anunciar os planos do país, sem mencionar empresas nominalmente.

A iniciativa de atrair multinacionais ligadas ao esporte e facilitar a comercialização de serviços relacionados ao esporte no país é parte dos planos do Catar de se tornar um centro regional de eventos esportivos no período que antecede a realização da Copa do Mundo de 2022 no país, disse ele.

Neste mês, a FIFA estabeleceu uma joint venture no Catar para ajudar a administrar o torneio.

“Grande parte da cadeia de valor está se mudando para o Catar à medida em que falamos da Copa do Mundo de 2022”, disse Jaida.

O Catar irá sediar neste ano o Campeonato Mundial de Atletismo, torneio bienal organizado pela Associação Internacional de Federações de Atletismo.

“Estamos olhando para empresas de serviços esportivos, empresas jurídicas, de educação e treinamento, roupas esportivas e equipamentos... é um conjunto detalhado de empresas de esportes que podem ser atraídas tendo em vista a Copa de 2022”, disse Jaida.

No ano passado, a QFC anunciou planos para novos incentivos, como espaço gratuito para escritórios e aportes de capital, para competir com o vizinho Dubai.

Jaida disse que a QFC também pretende atrair empresas em áreas como finanças islâmicas, fintechs e mídia como parte dos planos de levar ao país 1.000 empresas de todos os setores até a Copa do Mundo, em comparação com as 600 que já estão o Catar atualmente.

O Catar tem procurado atrair investimentos estrangeiros e diversificar sua economia focada no gás, mas enfrenta um boicote diplomático e comercial lançado em 2017 por Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Bahrein e Egito. O bloco acusa Doha de apoiar o terrorismo, o que o Catar nega.

Não havia dados imediatamente disponíveis sobre o atual valor movimentado pela indústria de esportes no Catar.

Jaida ainda disse que o Catar também está posicionado para servir como um hub alternativo a Dubai para mercados regionais como Kuweit, Omã, Turquia e Paquistão, com os quais fortaleceu relações desde o boicote do Golfo.

“Acreditamos que, devido à situação geopolítica, algumas relações governo-governo muito interessantes se formaram entre o Catar e países vizinhos... e estes podem ser mercados-alvo para empresas que desejam promover atividades regionais fora da QFC”, disse Jaida. 

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