6 de Agosto de 2008 / às 04:47 / em 9 anos

Tocha olímpica acende o orgulho nacional na China

Por Paul Majendie

<p>Chin&ecirc;s assiste ao desfile da tocha ol&iacute;mpica, em frente ao port&atilde;o da pra&ccedil;a Tiananmen com uma bandeira da China colada em seu rosto REUTERS. Photo by Claro Cortes Iv</p>

PEQUIM (Reuters) - Mao Tse-Tung olhava fixamente para o que acontecia à frente do portão da praça da Paz Celestial. Uma cena que ele jamais poderia imaginar.

Logo abaixo de seu épico retrato, uma grande muralha humana surgiu à frente gritando alto, em coro, “vai, Olimpíada, vai Pequim”.

Sessenta anos depois da revolução comunista que transformou o país, a tocha olímpica surgiu com dramático esplendor no coração do centro histórico de Pequim, nesta quarta-feira.

“Eu acho que o presidente Mao jamais imaginou que isso fosse acontecer”, disse Liu Changjiang, administrador escolar aposentado trajando uma camiseta da Coca-Cola.

Balançando sua cabeça em sinal de descrença refletindo sobre a grande mudança, ele disse: “Quando eu era criança, as pessoas viviam desesperadas por comida. Naquele tempo as pessoas ficavam felizes em ter o estômago cheio e roupas suficientes para se manter aquecidos.”

Com as pesadas regras impostas por Mao, fundador da China comunista, apenas falar com um estrangeiro poderia resultar em prisão imediata.

Huang Yuanqian, estudante de 22 anos, não presenciou nenhum dos movimentos que levaram à nova China -- o Grande Salto Adiante, em 1958, a Revolução Cultural, de 1966 a 1976, e a diplomacia do ping-pong com os Estados Unidos, nos anos 1970.

Ela tinha apenas três anos quando os tanques irromperam na praça Tiananmen para dispersar protestos estudantis diante dos olhos horrorizados de todo o mundo.

Hoje, com um adesivo da bandeira da China colado em seu rosto, ela se juntou à multidão ardente em orgulho nacional. Mas ela dispensou alguns momentos para pensar no que aconteceu nessas seis tumultuadas décadas.

“Meus avós viveram dias muito diferentes. Eles eram muito pobres. Fico feliz em torcer por meu país hoje em dia.”

A China já foi um dos mais isolados países do mundo. Nesta quarta, na praça Tiananmen, a cena remetia mais a uma partida de basquete americano.

Garotas agitavam pompons brilhantes em vermelho e prata como cheerleaders comandando o público. Só o que faltou foi uma ola.

Reportagem adicional de Guo Shipeng

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