7 de Agosto de 2008 / às 06:19 / em 9 anos

"Pin", ou o velho brochinho, é um capítulo à parte em Pequim

Por Marcelo Teixeira

PEQUIM (Reuters) - A esquina do lado esquerdo do centro de imprensa dos Jogos Olímpicos está tomada por aficcionados por “pins”, os brochinhos que são espetados na roupa, na mochila ou mesmo na fita que segura a credencial.

A cada dia na semana que antecede a abertura oficial, mais pessoas passaram a se aglomerar no local, estendendo tapetes e expondo milhares de pins relacionados às Olimpíadas, alguns bastante antigos.

O pin é uma tradição nos Jogos e produzi-los virou quase uma obrigação para qualquer entidade envolvida na competição, seja um patrocinador, um grupo de mídia ou os comitês olímpicos dos países participantes.

As entidades distribuem os pins entre seus colaboradores, que os trocam com outros ou os presenteiam.

Os colecionadores estão à caça de qualquer um que ainda não tenham e a esquina do centro de imprensa é um ponto popular porque eles podem ter acesso aos pins que os grupos de comunicação produzem.

“Ficamos aqui para conseguir os pins do pessoal das TVs, das agências e jornais”, disse o espanhol Frederic Darrilla, funcionário público que tirou férias para vir a Pequim incrementar sua coleção.

“Sempre gostei de coleções e comecei a dos pins durante os Jogos de Barcelona (1992)”, acrescentou.

Uma peculiaridade sobre a atividade em Pequim é que a venda de pins está proibida, segundo Darrilla.

“Vender ou não depende da legislação do país que está recebendo o evento, mas eu não estou aqui pra fazer dinheiro. O que eu quero são os pins”.

Mas alguns colecionadores disseram que as vendas acontecem de qualquer maneira e que o valor de um pin que tenha chamado a atenção durante os jogos e virado um “hit” pode chegar a até 100 dólares.

Os brochinhos também são entregues como pequenas gentilezas por uma colaboração.

Um repórter do jornal japonês The Tokyo Shimbun, por exemplo, entregou um pin como agradecimento por algumas opiniões para uma reportagem que estava produzindo, sobre as eventuais restrições para o trabalho jornalístico na China durante as Olimpíadas.

Alguns atletas enchem as mochilas com os pins e levam outros pregados na fita da credencial com o objetivo de trocá-los com outros competidores nas dependências da Vila Olímpica.

O Comitê Olímpico Brasileiro entregou cerca de 60 pins para cada atleta, junto ao kit dos Jogos.

Mas alguns dos atletas não dão a mínima bola para o negócio.

“Coisa chata isso, tem gente que fica pedindo pin o tempo todo”, disse Juliana Veloso, dos saltos ornamentais, acrescentando que acaba distribuindo os que recebe sem pegar outros de volta.

O nadador Kaio Márcio, que vai disputar os 100 e 200 metros borboleta, além do revezamento medley, disse que deixou a maior parte dos pins que recebeu guardada e vai levar para o Brasil, para amigos e parentes.

“Mas também levo alguns na mochila. Se alguém pedir pra trocar, eu troco”.

Já Fabiana Beltrame, do remo, gosta muito da brincadeira e guarda vários em casa, vindos de competições anteriores, como os Jogos de Atenas e os Pans do Rio de Janeiro e de Santo Domingo.

“Até já comprei o pin oficial dos Jogos, ali na lojinha”, afirmou, com a fita da credencial enfeitada por vários deles.

Colaborou Belinda Goldsmith

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