9 de Maio de 2008 / às 12:59 / em 10 anos

Com Joanna, natação feminina do Brasil ganha força para Pequim

Por Pedro Fonseca

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A natação feminina do Brasil classificou até o momento cinco atletas em provas individuais para os Jogos Olímpicos de Pequim, e com a obtenção do índice por Joanna Maranhão recuperou parte do prestígio perdido com o caso de doping de sua ex-estrela, a velocista Rebeca Gusmão.

Flávia Delaroli, Fabíola Molina, Daynara de Paula, Gabriella Silva, além de Joanna -- superam as três atletas que foram à Olimpíada de Atenas, em 2004, por índices em provas individuais.

Como ainda busca classificação nos revezamentos 4x100m livre, 4x100m medley e 4x200m livre, o país pode quebrar o recorde de participação feminina em Olimpíadas, superando as oito nadadoras que foram à Grécia.

“Desde que o ínidice A da Fina (federação internacional) foi adotado em 2000, houve uma melhora técnica muito grande. Nós podemos afirmar que pelos índices individuais já alcançados, o nível de qualidade dessa seleção brasileira teoricamente é o melhor”, disse o supervisor técnico de natação da Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos (CBDA), Ricardo de Moura.

“Numa Olimpíada, a quantidade hoje é relativa, o importante, e a tendência que vai seguir o mundo, é a qualidade. Se você não tiver o mínimo de qualidade, você fica fora das semifinais e finais”, acrescentou.

O Brasil tinha conseguido índice nos dois revezamentos estilo livre durante o Pan-Americano do Rio de Janeiro, no ano passado, mas os resultados foram impugnados pela Federação Internacional de Natação porque Rebeca Gusmão fazia parte das equipes.

Sem Rebeca, que envolveu-se num escândalo de doping durante a competição de 2007, os olhos da natação brasileira se voltam novamente para Joanna Maranhão, quinta colocada nos Jogos de Atenas e que garantiu sua vaga em Pequim na última chance, no Troféu Maria Lenk desta semana.

Aos 17 anos, a nadadora maranhense conseguiu o melhor resultado da natação feminina do Brasil numa Olimpíada em décadas ao terminar em 5o nos 400m medley na Grécia, mas uma série de problemas pessoais --incluindo a confissão de um caso de abuso sexual de seu técnico na infância-- colocaram em risco sua participação em Pequim.

Com a vaga assegurada na quarta-feira, Joanna pode agora se concentrar apenas em voltar a uma final olímpica.

“Sei que sou capaz de voltar a nadar o meu melhor tempo, o que eu preciso agora é me focar no treinamento e melhorar a parte técnica no nado de peito e na virada de costas”, disse à Reuters Joanna, que tem como recorde pessoal 4min40s00, em Atenas, e que garantiu a vaga em Pequim ao nadar 4min44s66 no Maria Lenk.

“Quatro segundos na minha prova não é muito. Meu pensamento é repetir a final olímpica, não posso querer menos do que eu já conquistei”, acrescentou a nadadora, que desde 2006 toma medicamento anti-depressivo como resultado de uma terapia iniciada após uma queda brusca no rendimento da atleta.

Com a volta de Joanna à equipe olímpica do Brasil, o presidente da CBDA, Coaracy Nunes, garantiu que a atleta receberá apoio total da confederação, incluindo patrocínio e treinamentos no exterior. Joanna e Coaracy se desentenderam no passado, quando a CBDA decidiu cortar o apoio a nadadora pela falta de bons resultados.

“Agora ela é atleta olímpica de novo. Todos os problemas que eu tive com a Joanna são coisa do passado. Ela terá todo o nosso apoio”, afirmou o dirigente.

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