26 de Junho de 2008 / às 17:56 / em 9 anos

Deslumbramento pode ameaçar estreante em Pequim, dizem veteranos

Por Maurício Savarese e Tatiana Ramil

SÃO PAULO (Reuters) - Nos Jogos Olímpicos, o maior adversário pode estar fora dos ginásios, pistas, piscinas ou tatames. Para atletas experientes, a convivência com as estrelas do esporte, o apelo da mídia e a ansiedade são grandes obstáculos para um estreante chegar a uma medalha.

“Olimpíada é, antes de tudo, fator psicológico... O maior baque é chegar na Vila Olímpica e ver aquele pessoal todo do seu lado. É astro de tudo que é esporte”, disse à Reuters o atleta André Domingos, que ainda tenta vaga nos Jogos de Pequim, sua quinta Olimpíada.

“É o recordista dos 100 metros rasos, é o melhor maratonista, é campeão olímpico de tudo quanto é lado. Se não tiver cabeça, um atleta, mesmo no melhor da sua forma, começa a perder a medalha ali mesmo”, completou o velocista, medalha de prata nos Jogos de Sydney-2000 e de bronze em Atlanta-1996 no revezamento 4x100 metros.

A jogadora de vôlei Fofão, prestes a disputar também pela quinta vez uma Olimpíada, disse que ficou deslumbrada em Barcelona-1992.

“Foi mais do que um sonho. Todos os dias eu abria a janela para ver se realmente era verdade que eu estava lá”, disse a levantadora. “A Olimpíada é uma grande competição com muitas atrações que podem tirar o foco. O meu conselho é estar bem concentrada no seu objetivo.”

Sabendo da ansiedade que um estreante sente em uma Olimpíada, o técnico de atletismo Adauto Domingues cogita aproveitar a classificação do maratonista Marílson Gomes dos Santos para uma disputa na qual tem bem menos chances, os 10 mil metros.

“Se ele estiver sem dor nenhuma eu vou colocá-lo para correr os 10 mil metros para ir tirando a tensão de ver o estádio, de ver o público. Quando um atleta pode ir sentindo isso antes da sua competição preferida, se sente mais à vontade para iniciar uma prova com menos tensão, o que pode acabar melhorando o resultado final”, afirmou.

CUCA FRESCA

Campeão olímpico em 1988 e medalhista de bronze em 1996, o ex-judoca Aurélio Miguel avalia que uma conquista olímpica depende de detalhes que extrapolam o auge da forma física e técnica, o que dá vantagem aos atletas mais experientes.

“Para um jovem vencer quem é mais experiente ele tem de estar ciente de que todo mundo vai estar no auge físico e técnico”, disse.

“Na Olimpíada o que realmente faz a diferença é a cabeça tranquila. Não adianta chegar empolgado, porque isso não te dá medalha olímpica”, declarou.

Apesar de ter a experiência de competir em meetings internacionais e da conquista do ouro nos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro, em 2007, a saltadora com vara Fabiana Murer não esconde o desejo de chegar a Pequim o mais rápido possível para a disputa de sua primeira Olimpíada.

“Claro que tem aquela ansiedade, quero estar logo no estádio, competindo”, afirmou. “Fico me imaginando no estádio, como será, se vai estar lotado ... Mas estou me preparando para na hora me manter tranquila”, disse.

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