26 de Abril de 2008 / às 15:40 / 10 anos atrás

Tocha olímpica encontra protestos durante passagem pelo Japão

Pôr Chisa Fujioka

<p>Vis&atilde;o a&eacute;rea do percurso da tocha ol&iacute;mpica cercada de seguran&ccedil;as e policiais durante passagem por Nagano, dia 26 de abril. Multid&otilde;es de estudantes chineses acenando bandeiras vermelhas brigaram com protestantes pr&oacute;-Tibete e nacionalistas japoneses durante passagem da tocha ol&iacute;mpica pelo Jap&atilde;o neste s&aacute;bado. Photo by Kyodo</p>

NAGANO, Japão (Reuters) - Multidões de estudantes chineses acenando bandeiras vermelhas brigaram com protestantes pró-Tibete e nacionalistas japoneses durante passagem da tocha olímpica pelo Japão neste sábado.

A viagem da tocha pelo mundo antes da abertura dos Jogos de Pequim em agosto vem gerado protestos contra a China sobre as questões dos direitos humanos, bem como ímpetos de patriotismo de chineses que criticam o Ocidente por difamar Pequim.

Num dia de chuva em Nagano, coros como “vai, China” rivalizaram com gritos de “libertem o Tibete” vindos do grupo oposto, que chegaram a entrar em conflito apesar da forte segurança na cidade central, que sediou os Jogos Olímpicos de Inverno de 1998.

Quatro simpatizantes da China foram feridos e cinco homens foram presos, segundo informações da polícia local e bombeiros, incluindo um homem que precisou ser imobilizado no chão depois de correr até o caminho da tocha segurando uma bandeira tibetana e gritando “libertem o Tibete”.

Mais de 3 mil policiais foram mobilizados para o evento, que ocorre um dia depois da agência chinesa de notícias Xinhua afirmar que Pequim irá dialogar com representantes do Dalai Lama, líder budista exilado do Tibete, a quem culpa pelos recentes tumultos.

O Japão, cujos laços com Pequim costumam ser cobertos de tensão devido à memórias amargas da China sobre os tempos de guerra, tentou evitar as cenas caóticas que marcaram algumas das passagens da tocha pelo mundo antes da visita do presidente chinês, Hu Jintao, ao país no mês que vem.

“Eu corri torcendo para que os Jogos de Pequim tenham paz e sucesso”, afirmou o campeão olímpico japonês da maratona Mizuki Noguchi, depois de acender a chama no pódio ao final da passagem.

Analistas e ativistas expressaram cautela sobre a perspectiva de alívio nas tensões no Tibete através de um diálogo entre Pequim e representantes do Dalai Lama.

Em Nagano, 100 policiais japoneses criaram um corredor de barreira para a passagem da tocha, acompanhados de dois auxiliares chineses trajando ternos azuis e brancos, enquanto os manifestantes pró-China acenavam bandeiras nacionais vermelhas pelo percurso.

O conflito se iniciou entre os grupos pró-Tibete e pró-China, dentre os quais haviam muitos ativistas japoneses conservadores, perto da principal estação de trem da cidade. A polícia separou os grupos rivais. A cobertura na TV mostrou um homem ferido, com sangue no rosto.

A tocha, que tem Seul seu próximo destino, deve passar uma mensagem de paz e amizade, mas sua jornada vem se tornando um evento político e a tocha tem ganhado um tipo de segurança que geralmente é reservada a chefes de estado.

Reportagem adicional de Yoko Kubota e Tetsushi Kajimoto

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