2 de Maio de 2008 / às 19:13 / em 10 anos

ENTREVISTA-De peão a cavaleiro olímpico, Clementino faz história

Por Tatiana Ramil

<p>Quando crian&ccedil;a, o sonho de Rog&eacute;rio Clementino (foto) era ser pe&atilde;o de rodeio, mas ap&oacute;s algumas provas acabou se achando em outra montaria. Aos 26 anos, &eacute; o primeiro cavaleiro negro na hist&oacute;ria a se classificar para os Jogos Ol&iacute;mpicos na prova de adestramento. Photo by $Byline$</p>

SÃO PAULO (Reuters) - Quando criança, o sonho de Rogério Clementino era ser peão de rodeio, mas após algumas provas acabou se achando em outra montaria. Aos 26 anos, é o primeiro cavaleiro negro na história a se classificar para os Jogos Olímpicos na prova de adestramento.

Clementino, o primeiro negro numa equipe olímpica de hipismo do Brasil, é também o único atleta do país com vaga assegurada em Pequim.

“Minha vida inteira foi dedicada a trabalhar em fazenda, por isso que tenho essa paixão por animal. Meu sonho era montar, eu queria ser peão, gostava de montar em boi”, disse o cavaleiro em entrevista à Reuters por telefone.

Na infância no Mato Grosso do Sul, onde sua família mora até hoje, Clementino trabalhava em fazendas. Precisava ajudar a mãe, após a morte do pai.

Aos 18 anos, se mudou para o interior de São Paulo e começou a montar também em cavalos, apoiado por seu patrão, o empresário Victor Oliva, ex-marido da jogadora de basquete Hortência.

“Em 2002, fiz a primeira prova de equitação e ganhei. Aí comecei a investir em cursos e desenvolver a carreira”, disse o cavaleiro, explicando que era patrocinado por Oliva.

Depois de algumas competições em rodeios no interior paulista, o sonho de virar peão famoso foi interrompido pela mulher, que achava a aventura perigosa demais.

Ele começou, então, a se dedicar somente à equitação. Montando Nilo V.O., de propriedade de Oliva, Clementino ganhou provas e há três anos percebeu que o cavalo “tinha jeito para o adestramento”.

“Aí logo veio um título da categoria iniciante e fui evoluindo e hoje, com a ajuda de muitos professores, estamos conseguindo fazer um bom trabalho.”

BÊNÇÃO

Num esporte reconhecidamente restrito, Clementino disse que nunca sofreu discriminação por sua raça ou condição social.

“Se tivesse acontecido (discriminação), só ia servir para me fortalecer... Fui abençoado por ser o primeiro (negro) e isso só me dá força para continuar representando, com muito orgulho, a raça negra”, declarou o atleta.

“Tudo o que está acontecendo comigo não é por acaso, a gente trabalha muito forte. Sempre pensei em dar o meu melhor, em tudo o que faço. Nunca deixei passar as oportunidades que tive”, acrescentou ele sobre as conquistas na carreira, incluindo a medalha de bronze por equipe no adestramento nos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro.

Em Pequim, a medalha é improvável, segundo Clementino. “Lá a gente vai competir com os 50 melhores do mundo, é difícil, mas a gente tem que olhar para nosso conjunto e dar o melhor para conseguir a melhor colocação possível.”

Atualmente, além dos treinos, o cavaleiro dá aulas e segue como funcionário de Oliva.

O sonho de criança não se concretizou. Foi além. O objetivo agora é competir na Europa e ter uma carreira de sucesso.

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