23 de Setembro de 2008 / às 04:26 / em 9 anos

Hamilton vai a tribunal se defender de "atalho" em Spa

Por Bertrand Boucey

PARIS (Reuters) - O piloto britânico Lewis Hamilton disse na segunda-feira a um tribunal da Fómula 1 que não tirou vantagem do atalho que usou no Grande Prêmio da Bélgica, manobra que lhe custou a vitória naquela corrida.

O incidente ocorreu a poucas voltas do final em Spa Francorchamps, quando o piloto da McLaren, líder do campeonato, disputava a liderança com Kimi Raikkonen, da Ferrari. Embora tenha chegado em primeiro, Hamilton foi rebaixado ao terceiro lugar, e o brasileiro Felipe Massa herdou a vitória.

Depois de cortar a chicane, Hamilton saiu à frente de Raikkonen, e os comissários entenderam que ele devolveu totalmente a posição, como exige a regra, e que assim conseguiu recuperar a ponta.

Questionado no tribunal de recursos da FIA (Federeação Internacional de Automobilismo) sobre se havia tirado vantagem da manobra, Hamilton respondeu: “Acredito , de mão no coração”.

Ele disse que não tinha alternativa senão atalhar a chicane, pois do contrário bateria em Raikkonen na curva. “Quando a pista está úmida e você está no fim da corrida, a última coisa que deseja é bater, não se pode assumir riscos estúpidos”, disse o britânico, que em caso de vitória no recurso veria sua vantagem sobre Massa saltar de 1 para 7 pontos.

Hamilton disse que o diretor da prova, Charlie Whiting, induziu a McLaren ao erro ao dizer que estava tudo certo. ”Sei que a equipe estava conversando com Charlie. Eu teria devolvido

se tivessem me dito. Foi uma vergonha nos dizerem que estava tudo bem”, afirmou o piloto aos cinco juízes.

Whiting disse ter dado a explicação errada à McLaren porque vira o incidente só uma vez, ao vivo. “Ficou claro para mim depois de ver o incidente de forma mais detalhada que a vantagem não havia sido devolvida inteira”, disse o diretor de prova.

Hamilton acrescentou que não sabia que não poderia atacar Raikkonen já na curva seguinte, uma regra que só seria esclarecida no GP seguinte. “Só ouvi falar dessa regra em Monza. Eu iria ultrapassá-lo de qualquer forma.”

Mas Whiting, a FIA e o representante da Ferrari, Luca Baldisserri, disseram que Hamilton não conseguiria ultrapassar Raikkonen se não tivesse cortado a chicane.

“Se ele tivesse ficado na pista, não estaria em posição de ataque na curva 1. Não estaria tão próximo de Kimi”, disse Whiting.

O debate pode se tornar irrelevante se os juízes decidirem na terça-feira que a McLaren nem teria direito de recorrer.

“Acho importante ter vindo hoje”, disse Hamilton a jornalistas. “Não estou realmente preocupado. Venho aqui hoje na esperança de que os juízes vejam a verdade e entendam que sou um piloto de corrida, que guio pela excelência. No momento, conforme vejo, estou um ponto à frente, e é assim que abordo a próxima corrida.”

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