2 de Outubro de 2009 / às 20:08 / 8 anos atrás

Em meio à euforia, atletas citam desafios do sonho olímpico

Por Hugo Bachega

<p>Delega&ccedil;&atilde;o brasileira comemora an&uacute;ncio do Rio de Janeiro como cidade-sede dos Jogos Ol&iacute;mpicos de 2016. Em meio &agrave; euforia, atletas citam desafios do sonho ol&iacute;mpico. REUTERS/Denis Balibouse</p>

SÃO PAULO (Reuters) - Eufóricos após o Rio de Janeiro garantir o direito de sediar a Olimpíada de 2016 e colocar o Brasil no seleto grupo de países a receber os Jogos, atletas brasileiros aproveitaram o oba-oba da vitória para destacar os desafios que aguardam o país para a concretização do sonho olímpico.

“Trabalho, trabalho e trabalho” foi a mensagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva após o anúncio do Rio de Janeiro como anfitrião dos Jogos de 2016. Em sua terceira candidatura, a cidade desbancou Madri, Tóquio e Chicago em eleição do Comitê Olímpico Internacional (COI), em Copenhague, nesta sexta-feira.

O coro do presidente, que se emocionou ao comentar a conquista, foi ecoado por atletas brasileiros, que apontaram os desafios que permearão o caminho olímpico nos próximos anos.

“Foi bacana. Muito legal. Acho que agora que o Rio celebra esta conquista, resta muito mais que preparar uma Olimpíada. É preparar o Brasil para ser um país olímpico, o que é o mais difícil”, afirmou o velejador Lars Grael, bronze em Seul-88 e Atlanta-96. “Deveríamos começar a olhar para a base e tudo o que é a escola”.

<p>Em meio &agrave; euforia, atletas citam desafios do sonho ol&iacute;mpico. REUTERS/Bruno Domingos</p>

A possibilidade de usar o evento como meio de transformação e inclusão social foi um dos pilares da candidatura brasileira. Junta-se a isso a realização da Copa do Mundo de futebol, dois anos antes, e a promessa de investimentos maciços em áreas sociais e de infraestrutra.

“Hoje começa uma nova história da política esportiva no Brasil”, disse Hortência, ex-jogadora de basquete, prata em Atlanta-96. “Agora, sete anos de uma mudança geral. Vai ser um outro país esportivo. Eu acho que agora é um momento de a gente aproveitar... (para) mostrar para o mundo que o Brasil é muito melhor que eles percebem”.

Entre as quatro cidades que brigavam pelo evento, o Rio de Janeiro era a que tinha o menor número de instalações prontas --apenas 29 por cento da infraestrutura exigida pelo COI, enquanto outros 24 por cento precisam de modernização-- parte delas legado dos Jogos Pan-Americanos, em 2007.

“Morei em Barcelona e vi o quanto o povo agradece aos Jogos de 1992 pela transformação por que a cidade passou, pela herança positiva de estrutura e de crescimento esportivo que as Olimpíadas deixaram”, declarou Anderson Varejão, da seleção brasileira de basquete. “Temos tempo e capacidade suficientes para fazer dos Jogos de 2016 a maior edição olímpica de todos os tempos”.

Com a vitória brasileira, a América do Sul sediará pela primeira vez uma Olimpíada, o que contribui para a característica histórica da conquista.

“É um sonho se realizando. Acho que é o momento mais importante da história do esporte olímpico brasileiro, é o dia mais importante hoje”, afirmou o judoca Flavio Canto, bronze em Atenas-04. “Agora a gente tem seis anos para transformar essa Olimpíada num marco para a história da cidade, para a história do país.”

Edição de Camila Moreira

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