9 de Fevereiro de 2010 / às 20:51 / 8 anos atrás

Mourão esquia das dunas cearenses para a neve de Vancouver

Por Mark Lamport-Stokes

<p>Foto arquivo mostra a brasileira Jaqueline Mour&atilde;o nas eliminat&oacute;rias de esqui cross country feminino no Campeonato Mundial N&oacute;rdico em Liberec. A mineira participar&aacute; da Olimp&iacute;ada de Inverno de Vancouver, mas aperfei&ccedil;oou sua t&eacute;cnica de deslizamento nas dunas cearenses. REUTERS/Leonhard Foeger 18/02/2009</p>

WHISTLER (Reuters) - Jaqueline Mourão, certamente a mais improvável participante das competições de esqui cross country na Olimpíada de Inverno de Vancouver, aperfeiçoou sua técnica de deslizamento não no gelo, mas nas dunas cearenses.

Essa efervescente mineira de 34 anos só entrou para o esporte em 2005, e obterá neste mês a rara proeza de participar da sua segunda Olimpíada de Inverno depois de competir no mountain bike em duas Olimpíadas de Verão.

Ela compete na segunda-feira no evento de abertura do cross country no Parque Olímpico Whistler, na prova dos 10 quilômetros estilo livre para mulheres. Independentemente do resultado, já se sente satisfeita.

“Considero que sou uma vencedora só por estar aqui, poder correr com todas essas outras meninas que nasceram com esquis nos pés”, disse ela à Reuters com um sorriso radiante.

“Obviamente quero esquiar bem e darei tudo de mim para evitar qualquer erro nas descidas. Quando vim pela primeira vez a Whistler para a Copa do Mundo de 2008, fiquei realmente assustada com a descida, mas agora estou muito mais confortável”, contou ela.

“Tenho esquiado bem e estou muito feliz de estar aqui representando o meu país nos meus quartos Jogos em menos de cinco anos”, acrescentou Mourão, que já disputou a Olimpíada de Inverno de Turim-06.

“As pessoas me perguntam: ‘Você vai ganhar medalha?'. Eu digo que não, o mais importante para mim é ser um modelo para outros brasileiros. Talvez no futuro, se eles conhecerem esse esporte antes (do que eu conheci), possam se sair bem no cenário mundial.”

A esquiadora descreve sua adesão ao cross country como um “ato de Deus”, após uma nevasca extemporânea que ela enfrentou quando fazia mountain biking na América do Norte em maio de 2005.

Como ela ficou impossibilitada de treinar durante três dias, o marido dela, Guido Visser, ex-integrante da equipe olímpica canadense do gelo, sugeriu que ela experimentasse esquiar.

“Eu nunca havia esquiado na minha vida e não sabia onde ficavam os breques” contou ela, rindo. “Saímos para três horas de esqui clássico e me apaixonei. Foi maravilhoso estar na natureza, cercada pela neve e as árvores em total silêncio.”

Embora tenha chegado em 2003 à lista das dez melhores do mundo no mountain bike, ela decidiu que tentaria uma vaga na Olimpíada de Inverno de Turim, o que conseguiu após apenas quatro meses de treinos intensos.

“Competi nos 10 quilômetros clássicos e fui bem, terminando em 67o. Não terminei em último e era a menina com menos experiência lá. As pessoas achavam incrível como eu aprendi rápido.”

Depois de disputar sua segunda Olimpíada de Verão em Pequim-08, Mourão decidiu deixar o mountain bike e focar totalmente no esqui cross country.

Embora ela ocasionalmente treine na neve do Chile ou da Argentina, a prática vem mesmo é das dunas de Jericoacoara, no Ceará.

“É como esquiar com 40 (quilômetros por hora) a menos”, disse ela. “É muito lento, a pernada é dura e o deslizamento é duro, mas para aprender os movimentos e trabalhar os braços e a parte superior do corpo é perfeito.”

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