28 de Abril de 2010 / às 17:37 / 8 anos atrás

Com outra camisa, brasileiros querem enfrentar a seleção na Copa

Por Tatiana Ramil

<p>Brasileiros naturalizados portugueses Deco e Liedson durante treino da sele&ccedil;&atilde;o de Portugal em novemebro de 2009. REUTERS/Jos&eacute; Manuel Ribeiro</p>

SÃO PAULO (Reuters) - Eles nasceram no Brasil mas na Copa do Mundo estarão do outro lado do campo. Deco, Liédson e Marcos Senna lideram a lista de jogadores naturalizados que terão o desafio de enfrentar o país natal na África do Sul, num embate muito aguardado e comemorado.

“Vai ser espetacular”, disse o atacante Liédson sobre a partida entre Brasil e Portugal, no dia 25 de junho, pelo Grupo G do Mundial.

“Nasci no Brasil e realmente amo meu país, mas vou dar tudo para ajudar Portugal a vencer. Este jogo é como uma final”, acrescentou ele em entrevista ao site da Fifa.

Além de Liédson, que estreou pela seleção portuguesa em 2009, o meia Deco e o zagueiro Pepe são os outros brasileiros na equipe europeia adversária do Brasil na primeira fase.

Nas oitavas-de-final, há a possibilidade de a seleção comandada por Dunga encarar a campeã europeia Espanha, cujo meio-campo é formado por Marcos Senna.

“Sinceramente eu adoraria jogar contra o Brasil, não por rancor ou alguma mágoa. Pelo contrário. Eu tenho muito orgulho do Brasil, só que eu defendo a seleção espanhola”, afirmou Senna em entrevista à Reuters.

“Eu vou sentir emoção, claro que sim, mas não vou estranhar. Futebol geralmente é assim: depois que a bola rola, você esquece tudo isso.”

O ex-jogador de Corinthians e São Caetano iniciou o processo de naturalização em 2005 a convite do ex-treinador da Espanha Luis Aragonés. Senna admitiu que seu sonho era jogar pelo Brasil, mas à época Carlos Alberto Parreira tinha o grupo praticamente formado para a Copa do Mundo da Alemanha.

O volante brasileiro viu no convite de Aragonés a chance de disputar um Mundial e disse ter sido muito bem recebido pelos companheiros.

“No início foi um pouco estranho porque não é meu país de origem. Meu sonho de pequeno era jogar pela seleção brasileira, só que quando estreei pela seleção espanhola eu sabia que a possibilidade de jogar na seleção brasileira seria praticamente zero”, contou o meia.

“O pessoal me tratou super bem. São praticamente oito anos (na Espanha) e eu nunca entrei em nenhum tipo de polêmica, sempre fui um jogador bastante respeitado”, disse ele, acrescentando que o título europeu conquistado em 2008 consolidou seu prestígio na seleção.

Com contrato com o Villarreal até o fim da próxima temporada, Marcos Senna, 33 anos, não pensa em voltar a atuar no Brasil e desfruta da “qualidade de vida” na Europa, incluindo a oportunidade de o filho de 3 anos estudar num colégio britânico e falar três línguas.

“Quando era mais jovem não sabia a importância de dar um bom estudo, uma boa qualidade de vida para o filho. Mas hoje eu sei o que é. Eu não tive essa oportunidade e poder proporcionar isso para meu filho é um orgulho que não tem preço.”

DECO: SEM TRAIÇÃO

Outro brasileiro que esteve na Copa da Alemanha e deve repetir a dose na África do Sul é Deco, que fará em junho e julho sua última aparição na seleção portuguesa. Diferentemente de Marcos Senna, o meia acredita que teria chances na seleção brasileira.

“Com a minha carreira a coisa mais normal seria ter jogado pelo Brasil. Há jogadores que não fizeram metade que já vestiram aquela camisa. Jogar na seleção brasileira seria a coisa mais fácil e natural para quem ganhou tudo no Porto, foi titular indiscutível no Barcelona durante quatro anos e joga num dos principais clubes do mundo (Chelsea)”, afirmou Deco ao jornal português A Bola.

Deco, que chegou a Portugal em 1997 e obteve a cidadania portuguesa em 2002, estreou pela seleção justamente contra o Brasil em um amistoso em 2003, no qual marcou um gol de falta e sua equipe venceu por 2 x 1.

O confronto no Mundial, no entanto, terá uma atmosfera diferente.

“Certamente que é um jogo especial, por ser brasileiro, por ter toda a minha vida ligada ao Brasil. Claro que é um jogo diferente de todos os outros, mas evidentemente que quero vencer. Quis jogar por Portugal e vou defender a camisa até o fim... E, se marcar, nenhum brasileiro poderá ver isso como uma traição à nação onde nasci”, declarou.

Outros brasileiros que podem disputar a Copa por seleções importantes são o atacante Cacau, naturalizado alemão, e o também atacante Amauri, que obteve a cidadania italiana este mês.

“Foi uma longa espera mas agora estou orgulhoso de ser um cidadão italiano. Se eu tiver a oportunidade de vestir a camisa italiana, serei o homem mais feliz do mundo”, disse Amauri, de 29 anos.

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