14 de Maio de 2010 / às 14:42 / em 8 anos

Mato alto e barracos em Recife simbolizam atrasos para Copa 2014

Por Stuart Grudgings

SÃO LOURENÇO DA MATA, Pernambuco (Reuters) - Mato crescido, barracos e uma cabeça de animal espetada num poste de madeira marcam o local da Grande Recife onde dentro de quatro anos está previsto um moderno estádio para a Copa do Mundo.

Enquanto a África do Sul se prepara para começar a sua Copa em menos de um mês, o Brasil tem recebido críticas pelo ritmo lento das obras para o torneio de 2014, que inclui a construção de cinco novos estádios e profundas reformas em outros.

Dos 12 estádios previstos para a Copa de 2014, apenas 3 cumpriram o prazo dado pela Fifa, 3 de maio, para começar as obras, segundo o Portal Copa 2014, do Sindicato Nacional das Empresas da Arquitetura e Engenharia (Sinaenco).

“O país ainda está jogando na defesa, sem qualquer jogada na direção do gol”, disse o site após realizar um levantamento sobre o ritmo dos trabalhos. “Atrasos nas licitações, disputas judiciais, indefinição dos projetos e dificuldades financeiras ainda estão paralisando as obras.”

Um dos estádios atrasados é o Maracanã,. O projeto ainda não foi nem licitado.

Jerome Valcke, secretário-geral da Fifa, alertou neste mês que o Brasil “não está no caminho certo”, e que o último relatório sobre os preparativos era motivo de preocupação.

Nesta sexta-feira, o comitê organizador local do Mundial anunciou que 7 dos 12 estádios tiveram seus projetos aprovados após visitas técnicas iniciadas depois do fim do prazo estipulado pela Fifa. Belo Horizonte, Brasília, Cuiabá, Curitiba, Manaus, Porto Alegre e São Paulo foram os projetos aprovados.

Entre as sedes já visitadas, apenas o Maracanã -- provável palco da final e que deve passar por uma reforma de 600 milhões de reais -- ainda não teve o projeto aprovado, mas, segundo o comitê, a aprovação sairá nos próximos dias após algumas retificações. Fortaleza, Salvador, Natal e Recife ainda serão vistoriadas.

O governo federal diz que a responsabilidade pelos estádios é de prefeituras e governos estaduais, e ameaçou reduzir o número de sedes se a infraestrutura for insuficiente.

A própria Fifa desejava inicialmente realizar a Copa em 10 cidades, mas acatou um pedido do comitê organizar local para expandir a 12 como uma forma de levar a competição para todas as partes do país. De acordo com o Ministério do Esporte, o número de sedes pode ser reduzido até oito.

Mas isso seria um constrangimento e um golpe para cidades pobres, especialmente no Nordeste, que esperam por melhorias na infraestrutura e nos benefícios de receber centenas de milhares de visitantes estrangeiros.

“PROCESSO LONGO”

A Copa de 2014 e a Olimpíada de 2016 no Rio são considerados motores importantes nos próximos anos para a economia do país. Segundo um estudo encomendado pelo Ministério do Esporte, a Copa deve injetar 183 bilhões de reais na economia ao longo de dez anos, levando em conta as obras e o turismo.

No terreno do futuro estádio em São Lourenço da Mata, a cerca de meia hora do centro do Recife, moradores dizem não ter recebido informação alguma das autoridades, embora a data oficial para o início das obras fosse em meados de maio.

“Até agora o governo não disse nada sobre quando a obra vai começar nem o que vai acontecer com o pessoal daqui”, disse o farmacêutico Vandelson Gomes de Souza, 23 anos.

Perto dali, Edmundo Severino de Lima, dono de um restaurante, era outro desinformado. “Como vão começar a obra aqui se não informaram ninguém? A gente aqui está só esperando”, disse ele, ao lado de um cavalo que pastava tranquilamente.

Natal (RN) é outra cidade que nem licitou a obra ainda. O secretário do governo potiguar encarregado dos preparativos para a Copa, Fernando Fernandes, atribuiu a demora à burocracia e a uma mudança no projeto do Estádio das Dunas, com 45 mil lugares. Mas disse que agora os prazos serão cumpridos.

“É preciso receber aprovação do Ministério Público, da Secretária de Planejamento, ter orçamento, publicar a proclamação, esperar uns 40 dias... É um processo longo”, disse ele à Reuters durante uma conferência sobre investimentos em Natal.

Nesse evento, investidores imobiliários demonstraram um otimismo cauteloso com a Copa. “Não acho que haja a preocupação de que não vai ficar pronto. Mas há uma preocupação de que não vai ficar pronto tão bem como poderia? Então, sim, há uma possibilidade de preocupação. Pelo que vejo, as pessoas precisam começar a se mexer rápido”, disse o britânico Martin Bellamy, executivo-chefe da Salamanca Capital, que tem sociedade com uma grande incorporadora imobiliária em Natal.

Reportagem adicional de Pedro Fonseca no Rio de Janeiro

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