11 de Junho de 2010 / às 10:44 / em 7 anos

Morte de bisneta de Mandela tira brilho da festa na África

Por Barry Moody

<p>O ex-presidente sul-africano Nelson Mandela abra&ccedil;a sua bisneta Zenani Mandela en Diepkloof, Soweto, nesta foto arquivo de 2008. Mandela n&atilde;o comparecer&aacute; &agrave; partida de abertura da Copa do Mundo a morte da bisneta em um acidente de carro. 07/12/2008 REUTERS/Funda&ccedil;&atilde;o Nelson Mandela/Divluga&ccedil;&atilde;o</p>

JOHANESBURGO (Reuters) - Nelson Mandela cancelou sua presença no jogo de abertura da Copa do Mundo, na sexta-feira, por causa da morte de uma bisneta em um acidente de carro na véspera, o que dá uma ressonância triste a um dos dias mais alegres da história do país e do continente, que pela primeira vez recebe o maior evento esportivo do mundo.

Mandela, 91, é um herói global por seu envolvimento na luta contra o apartheid. A notícia, nesta semana, de que ele iria assistir África do Sul x México, na sexta-feira, contribuiu com o frenesi patriótico que tomou conta da África do Sul nos últimos dias.

Mas o ex-presidente, que tem a saúde frágil, cancelou sua participação ao saber da morte de sua bisneta Zenani, de 13 anos, única vítima fatal do acidente ocorrido em Johanesburgo. Ela havia ido ao show de abertura da Copa, num estádio em Soweto, e estava voltando para casa.

O motorista foi preso, e a polícia disse que ele pode ser indiciado por homicídio culposo.

Zenani era uma dos nove bisnetos de Mandela, cujo imenso carisma e prestígio foi crucial para que em 2004 a Fifa decidisse realizar a Copa na África do Sul.

“Temos certeza de que os sul-africanos e o povo do mundo todo ficarão solidários com o sr. Mandela e sua família após esta tragédia”, disse a Fundação Nelson Mandela em nota.

A notícia lança uma sombra sobre a enorme euforia que tomou conta da África do Sul nesta semana, após anos de apreensão e pessimismo, dentro e fora do país, quanto ao sucesso do evento.

“Há anos esperamos por este momento, rezando para que acontecesse”, disse o torcedor Nicolas Sello, 54, que chegou ao estádio Soccer City de madrugada, dez horas antes da hora do jogo. Ele veste uma camisa especial, com o desenho da bandeira sul-africana.

Sello não foi o único a cair da cama. Ainda de madrugada, já era possível ouvir as onipresentes vuvuzelas.

Vestindo enormes “sombreros”, um grupo de “mariachis” zombava amistosamente dos sul-africanos em frente ao estádio, prometendo que o México estragará a festa dos donos da casa.

APOSTA AFRICANA

Para a África do Sul, esta Copa é muito mais do que um mero evento esportivo. Estão em jogo para o país a reconciliação racial, sua afirmação como nação e a capacidade de atrair investimentos e turismo.

O torneio é também um símbolo da emergência da África após décadas sendo estereotipada como um continente associado a conflitos, fome e pobreza.

Esse sonho que já pareceu tão improvável começa a se concretizar às 11h (hora de Brasília), diante de 90 mil espectadores no imponente estádio Soccer City, em Johanesburgo.

Os mexicanos terão como adversários não só o fervor patriótico dos “Bafana Bafana”, mas também o som das vuvuzelas, que às vezes torna quase impossível a comunicação entre jogadores e treinadores.

Antes desacreditada até dentro do país, a seleção local continua sendo uma das anfitriãs mais fracas na história das Copas - é apenas a 83a colocada no ranking da Fifa. Mas, sob o comando do brasileiro Carlos Alberto Parreira, a seleção acumula uma invencibilidade de 12 partidas, o que deixa seu torcedor otimista e até eufórico.

“Não quero que meus jogadores sejam afetados por tudo isso,” disse Parreira. “Agora temos um jogo de Copa do Mundo (...) e queremos deixar este país orgulhoso.”

A tragédia com a bisneta de Mandela, um dia depois da morte de três turistas britânicos num acidente de ônibus no interior do país, mostra o perigo que o trânsito sul-africano representa para locais e visitantes.

Além disso, outros riscos ameaçam macular o evento. Vários jornalistas e três jogadores gregos sofreram furtos e assaltos nos últimos dias, confirmando que a África do Sul continua tendo uma elevadíssima criminalidade.

Num outro tipo de incidente, seis pessoas foram esmagadas na quinta-feira na principal centro de torcedores da Copa na Cidade do Cabo. Milhares de pessoas tentavam entrar no local na hora do tumulto.

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