15 de Junho de 2010 / às 23:17 / em 7 anos

ANÁLISE-Vitória do Brasil na estreia tem pouca inspiração

Por Kevin Fylan

<p>Elano comemora seu gol com L&uacute;cio e Gilberto Silva na vit&oacute;ria por 2 x 1 sobre a Coreia do Norte, na Copa da &Aacute;frica do Sul: vit&oacute;ria brasileira teve pouca inspira&ccedil;&atilde;o. REUTERS/Siphiwe Sibeko</p>

JOHANESBURGO (Reuters) - O Brasil estreou na Copa do Mundo na terça-feira do jeito que melhor sabe jogar sob o comando de Dunga - ou seja, fazendo com que lampejos de inspiração bastassem para a vitória de 2 x 1 sobre a Coreia do Norte pelo Grupo G.

Um momento de puro brilho individual de Maicon abriu o placar após um primeiro tempo tão monótono quanto o som das vuvuzelas. A única outra movimentação significativa do time deu a Elano a chance de ampliar.

Resta saber se eventuais lampejos de magia bastarão contra times melhores que a Coreia do Norte, que se empenhou muito na sua volta às Copas, após 44 anos de ausência, e chegou a assustar os brasileiros quando Ji Yun-nam bateu Julio César com um forte chute à queima-roupa, quase no final.

O que está claro é que esse é o Brasil que veremos. Diante de um time empenhado e defensivo, a seleção não dá sinais de ter um plano B em mente, nem um substituto óbvio para Kaká, ainda sem ritmo de jogo.

O que ficou claro também é que a noite foi desconfortável para o Brasil do começo ao fim.

A torcida que lotava o Ellis Park esperava que, iniciando sua luta pelo hexa, o Brasil demonstrasse ao menos um pouco do estilo que abrilhantou outras Copas.

No primeiro tempo, pouca coisa esquentou a torcida brasileira que tiritava nas arquibancadas -- mas tampouco havia muito que admirar na bem ensaiada defesa e na calma do time norte-coreano, que apesar da derrota tem motivos para continuar sonhando.

CAUTELA DE DUNGA

A abordagem brasileira foi tão cautelosa quanto se espera de Dunga, e, após um breve momento de habilidade individual de Robinho, logo no começo, o time parecia se contentar com eventuais chutes de longe.

A situação melhorou no começo do segundo tempo, quando Elano tocou em profundidade para Maicon, que, chegando à linha de fundo, viu o goleiro Ri Myong-guk adiantado e chutou forte e sem ângulo para o gol.

O Brasil manteve sua habitual força no contra-ataque e, como a Coreia do Norte ficou em desvantagem e teve de se abrir, foi natural que surgisse uma bela jogada como a do segundo gol, com Robinho dando um passe perfeito para Elano concluir na saída do goleiro.

A torcida finalmente começava a se esquentar, mas a seleção ainda mostrava uma falta de urgência e de precisão que poderia ter lhe custado caro, depois que o meia Ji Yun-nam se infiltrou na defesa, escapou da marcação de Juan e chutou sem chance para Julio César.

Embora já fosse tarde demais para virar, o gol deu à Coreia do Norte uma injeção de autoestima que pode ser decisiva nas partidas contra Portugal e Costa do Marfim, que antes empataram sem gols.

Os norte-coreanos deixaram claro que não serão os “cafés com leite” que todos esperavam nesse grupo tão duro, e que os seus dois futuros rivais têm com que se preocupar.

No final, a Coreia do Norte foi batida por um Brasil que tem talentos superiores, mas que não dá sinais de que será a sensação da Copa.

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