29 de Outubro de 2010 / às 19:35 / em 7 anos

Maradona chega aos 50 anos longe do seu grande amor, o futebol

Por Luis Ampuero

<p>O ex-t&eacute;cnico da sele&ccedil;&atilde;o argentina, Diego Maradona, prepara-se para chutar a bola durante partida beneficente em Buenos Aires, 16 de outubro de 2010. REUTERS/Enrique Marcarian</p>

BUENOS AIRES (Reuters) - O ex-jogador argentino Diego Maradona celebrará no sábado seus 50 anos de vida, rodeado por seus afetos, mas longe de duas coisas com as quais convive há mais de três décadas: o futebol e a atenção constante do público.

Maradona pretendia passar o aniversário em Nápoles, onde foi ídolo e ganhou vários títulos com o time local entre 1984 e 91. Mas uma milionária dívida fiscal na Itália estragou a festa.

Também se especulou que ele receberia um bolo gigante no estádio do Boca Juniors, mas tampouco festejará na “Bombonera”, onde não vai desde sua polêmica temporada como treinador da seleção argentina.

“Não há nada de especial... não há nada, está tranquilo”, disse à Reuters um amigo íntimo de Maradona ao ser questionado sobre os planos para a festa.

Desde que voltou da Copa da África do Sul, Maradona apareceu em público poucas vezes, algo raro na sua atribulada vida, dominada pelas polêmicas e pelo contraste entre a magia que mostrou dentro de campo e os problemas que viveu fora dele.

“Tenho as portas fechadas na seleção”, disse Maradona recentemente. “Estou muito triste como tudo aconteceu, depois da (derrota para a) Alemanha fiquei morto”, afirmou, referindo-se à eliminação nas quartas de final da Copa, numa goleada por 4 x 1.

Nesta semana Maradona voltou a se expor, comparecendo ao velório do ex-presidente Néstor Kirchner, a quem se referiu como um “gladiador”.

“Na Argentina não queremos mais hipocrisia”, disse ele numa rápida conversa com jornalistas, criticando adversários de Kirchner que o homenagearam depois da sua morte, ocorrida na quarta-feira. A declaração também pode ser vista como uma alusão ao amor e ódio que sentiu na pele ao longo da vida.

Maradona chegou ao estrelato depois de uma infância pobre na Villa Fiorito, periferia de Buenos Aires, onde era o quinto filho de um operário.

Sua carreira começou no Argentinos Juniors, e depois brilhou no Boca -- clube do qual é torcedor --, Barcelona e Napoli. Teve passagens também pelo Sevilla e o Newell’s Old Boys

Na seleção argentina, alcançou a glória e viveu seus piores momentos. Foi campeão do mundo em 1986, depois de marcar dois gols inesquecíveis contra a Inglaterra. Mas chorou ao perder a final da Copa de 1990, e imortalizou a frase “me cortaram as pernas” depois de ser pego no antidoping em 1994.

Com a fama chegaram os vícios, e os vários anos de dependência pela cocaína encerraram uma carreira singular, que o colocou no panteão dos jogadores mais extraordinários da história.

As drogas o deixaram mais de uma vez à beira da morte, mas sua história de altos e baixos se impôs, e ele se recuperou mesmo quando ninguém achava que isso seria possível.

Maradona se destacou também pelas frases incisivas, que podiam ser dirigidas aos cartolas do futebol, aos políticos e à Igreja Católica. Homem de esquerda, já fez várias declarações duras contra Margaret Thatcher e George W. Bush, ao passo que costuma defender apaixonadamente políticos como o cubano Fidel Castro, o venezuelano Hugo Chávez e o boliviano Evo Morales.

Reportagem adicional de Rex Gowar

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