6 de Maio de 2011 / às 18:17 / em 7 anos

Ministro rebate ONU e garante desapropriação sem arbitrariedade

SÃO PAULO (Reuters) - O ministro do Esporte, Orlando Silva, rebateu na sexta-feira um relatório da Organização das Nações Unidas (ONU), segundo o qual o Brasil faltou com transparência e pagou indenizações insuficientes pelas desapropriações para obras da Copa do Mundo de 2014 e da Olimpíada de 2016. Para ele, nenhuma “arbitrariedade” foi ou será cometida.

“Quero tranquilizar (os moradores) de que não haverá nenhuma arbitrariedade”, disse o ministro durante seminário sobre o Mundial na Assembleia Legislativa de São Paulo.

Orlando Silva citou o relatório da ONU e afirmou que o “raciocínio tem que ser invertido” e que essas pessoas vão morar em condições melhores.

“Existe a necessidade de desapropriações e a remoção de alguns que moram de maneira irregular. (Mas) não haverá remoção sem alternativa de moradia digna...É um compromisso do nosso governo”, declarou.

De acordo com a relatora especial do Conselho de Direitos Humanos da ONU Raquel Rolnik, pode ter havido violações aos direitos humanos. Ela pediu no final de abril que o país interrompa as desapropriações até que essas questões sejam resolvidas.

Durante o seminário, o deputado estadual Luiz Moura (PT) alertou ao ministro que em São Paulo 2.000 famílias terão que deixar o local onde vivem, em Itaquera, na zona leste, para que sejam realizadas obras no entorno do estádio que será construído pelo Corinthians para o Mundial de 2014.

“Tem que se discutir de fato onde essas famílias serão colocadas”, disse o deputado.

O ministro deixou o seminário antes de ouvir as demandas dos moradores da região.

O presidente do Corinthians, Andrés Sanchez, afirmou que as obras de infraestrutura em volta da arena não são de responsabilidade do clube, e sim dos governos do município e do Estado. Ele disse acreditar que as obras serão positivas para o local.

“Todo benefício tem um preço. Alguns vão chorar e muitos vão sorrir, porque tem coisas que precisam ser mudadas”, afirmou Sanchez.

MOBILIDADE URBANA

O ministro considera os projetos de mobilidade urbana que serão feitos nas 12 cidades-sede da Copa um legado fundamental para o país.

“É importante pensar no que vai ficar para o Brasil. A mobilidade urbana pode ser um ganho importante”, afirmou ele, advertindo que as obras do setor precisam começar ainda este ano.

Orlando Silva citou também a melhoria dos aeroportos e portos, a promoção do turismo e a geração de empregos como fatores que serão impulsionados pela realização da Copa no Brasil.

O ministro negou que a questão da construção dos estádios seja a mais importante nos preparativos do país. “Com o início das obras aqui em São Paulo, o assunto estará encaminhado”, disse.

O estádio paulista para a Copa, principal candidato a sediar a abertura do torneio, é o que mais preocupa as autoridades para o Mundial.

Após repetidos adiamentos, o início das obras está agora previsto para este mês, de acordo com o secretário especial de articulação para a Copa do Mundo em São Paulo, Sérgio Tadeu.

“São Paulo tem que se qualificar para receber a abertura. Esperamos que possa apressar o passo”, declarou o ministro.

Reportagem de Tatiana Ramil

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