10 de Setembro de 2011 / às 15:37 / em 6 anos

ENTREVISTA-CEO da Juventus sonha alto com novo estádio

Por Richard Allen

ROMA (Reuters)- Ela pode não estar entre as maiores arenas de futebol do mundo, mas o novo estádio da Juventus pode ser o início do renascimento da Velha Senhora do futebol italiano, afirmou o presidente do clube.

A arena Juventus, que vai receber a primeira partida do Campeonato Italiano no domingo no jogo contra o Parma, tem 41 mil lugares de capacidade, número pequeno se comparado com as casas dos rivais como Milan/Inter (80 mil), Barcelona (99 mil), Manchester United (76 mil) e Bayern Munich (70 mil).

Mas Aldo Mazzia, o homem recentemente escolhido para restaurar o clube depois do escândalo de 2006 por conta da combinação de resultados, afirma que tamanho não é tudo.

“Acreditamos que é melhor ter um estádio que é um pouco menor, mas que está quase sempre lotado do que ter um maior que só tem a lotação esgotada em poucas partidas. A Juventus é o único time italiano com estádio próprio,” disse em entrevista para a Reuters.

A equipe, que têm uma torcida espalhada no país inteiro por conta dos imigrantes que foram trabalhar em Turim para a empresa-irmã Fiat, odiava o antigo estádio Delle Alpi (com 69 mil lugares) por conta da distância causada pela pista de corrida e pelos assentos vazios.

Desde 2006, o time com mais torcedores da Itália e o com mais títulos nacionais compartilhava o estádio Olímpico com o Torino. A nova arena, que ainda não têm um nome oficial mesmo depois da longa busca por um patrocinador, foi construída no terreno em que estava o Delle Alpi.

“O estádio Olímpico tem capacidade de 25 mil lugares e poucos assentos premium,” disse Mazzia, que substituiu Jean-Claude Blanc como CEO em maio, depois de suceder Michele Bergero como diretor financeiro um mês antes.

“As receitas do estádio na temporada passada foram de 11,5 milhões de euros (15,8 milhões de dólares), com 9,8 milhões de euros vindo de ingressos e 1,7 milhão de euros de outros serviços, o que representa algo como 7,5 por cento das receitas totais,” conta.

Ele acrescentou: “O novo estádio oferece um cenário completamente diferente. Entre os 41 mil lugares, há 4 mil assentos premium. A visão será ótima já que não existe pista de corrida e os fãs estarão mais perto do campo, o que vai criar uma atmosfera especial.”

Para diversificar e aumentar as fontes de receita, o clube também vai oferecer no espaço lojas, restaurantes, bares, estacionamento e áreas para reuniões comerciais e para alimentação. Além disso, o museu da Juventus vai ser inaugurado no início de 2012.

“Nós prevemos que as receitas com o estádio vão aumentar para 15 por cento, o dobro da atual, com o faturamento chegando a 32 milhões de euros; com 20 milhões vindo dos ingressos e seis milhões do acordo com patrocinador para ter seu nome na arena,” disse Mazzia, ressaltando que há a possibilidade de aumentar o número de assentos premium nas próximas temporadas.

A equipe de Turimn venceu 27 títulos nacionais e duas copas europeias, mas sofre desde o escândalo Calciopoli de 2006, que a rebaixou para a série B e teve os títulos de 2004/5 e 2005/6 retirados por ter influenciado a escolha dos árbitros.

Se a confiança de Mazzia no novo estádio e nas finanças está em alta, o estado da Juve em campo parece menos garantido.

Se o enigmático Mirko Vucinic e o sempre contundido Fabio Quagliarella não conseguirem garantir o ataque da equipe, o novo técnico da Juve Antonio Conte terá que colocar todas as suas fichas no ídolo de 36 anos Alessandro Del Piero.

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