22 de Setembro de 2011 / às 12:47 / em 6 anos

Com todo gás, Barrichello almeja 20a temporada

Por Ossian Shine

Rubens Barrichello, da Wiliiams, chega à primeira sessão de treino para o Grande Prêmio da Malásia, em abril. Ele já esteve em mais largadas do que qualquer outro piloto da Fórmula 1, mas, prestes a iniciar sua 20a temporada, Barrichello diz que sua contribuição para a categoria vai além da extensa quilometragem. 08/04/2011 REUTERS/Bazuki Muhammad

CINGAPURA (Reuters) - Ele já esteve em mais largadas do que qualquer outro piloto da Fórmula 1, mas, prestes a iniciar sua 20a temporada, Rubens Barrichello diz que sua contribuição para a categoria vai além da extensa quilometragem.

O brasileiro, de 39 anos, participa neste fim de semana, em Cingapura, do seu 321o GP. Ele ainda está discutindo os termos da renovação do seu contrato com a Williams para 2012.

“Eu estou fisicamente melhor do que quando tinha 18 anos. Estou mesmo, é verdade”, sorriu ele. “Dá para ver. A cada ano a gente tem de se submeter a testes, a gente tem números, e eles monitoram como a gente respira e como a gente sua, e estou em grande forma.”

Barrichello está tendo, como ele mesmo admite, “um ano terrível”. A Williams marcou apenas 5 pontos desde o início da temporada, e ocupa o nono lugar entre 12 equipes. A líder Red Bull soma 451 pontos.

Mas isso não tira a animação de Barrichello para o futuro. “A equipe está mudando os motores, o pessoal está mudando também. Acho que tenho muito a contribuir com a equipe”, disse ele à Reuters.

“E não é só a experiência, porque se você tem experiência mas não tem velocidade, então isso não é nada. Se você tem velocidade e não tem experiência, na verdade é melhor, mas posso oferecer velocidade à minha equipe - e a experiência vem de brinde.”

“ENQUANTO HOUVER PAIXÃO”

Esgotado pelo jet-lag depois da longa viagem Brasil-Cingapura, Barrichello se anima ao falar do esporte que diz amar desde o seis anos de idade.

“Acho que é um amor e uma paixão pela velocidade”, sorriu ele. “Com toda a honestidade, ainda estou conversando com a equipe para ver se posso correr no ano que vem. Ainda sou apaixonado pelo esporte, não sei como viver sem a velocidade. Gosto cada vez mais. Estou comprometido em correr enquanto houver paixão.”

Nestes mais de 18 anos desde sua estreia pela Jordan, em 1993, Barrichello já viu muita coisa mudar - algumas para melhor, outras não, segundo ele. “A Fórmula 1 passou por muitas mudanças, mas a posição é praticamente a mesma, o volante é praticamente o mesmo, embora eu tivesse um botão em 93 e agora eu tenha 22.”

“As pessoas argumentam que é mais fácil trocar de marcha (com botões) na mão em vez de numa alavanca, mas com isso os carros ficam mais rápidos, então você tem mais forças G (da gravidade) sobre o corpo, e é pior em termos de lidar fisicamente com isso, então não é nem mais fácil nem mais difícil, é apenas diferente”, explicou.

“Os carros vão mais rápido, e a cada ano (os dirigentes) tendem a fazer algo diferente para desacelerá-los, mas os engenheiros são tão inteligentes que fazem ficar mais rápido, e lá vamos nós, quebrando recordes a cada pista que vamos.”

“Quando comecei, tínhamos motores V12, aí corri com os V10 na maior parte da minha carreira, então temos o V8 e depois o V6, e mesmo assim continuamos a superar os tempos nas voltas.”

Barrichello, que foi vice-campeão em 2002 e 2004, pela Ferrari, disse que o GP de Cingapura será um grande teste para a sua equipe, pois o circuito é particularmente desafiador para os mecânicos.

“A configuração do carro precisa ser realmente boa aqui (...), para que a degradação dos pneus aconteça do jeito que a gente quer. A combinação de baixa e alta velocidade, mais a ondulação da pista torna dificílimo acertar o carro. Então tudo isso junto a torna muito especial.”

O GP de Cingapura, num circuito de rua, é o único da temporada disputado à noite. “Eu gosto muitíssimo dessa prova. É muito diferente”, disse Barrichello. “É como antes da TV HD (...), essa é a imagem que a gente tem à noite. Você não vê tudo, com a rua e as ondulações, você não vê todos os aspectos do circuito, mas é uma visão bastante boa de tudo. É bem divertido.”

“No primeiro ano (2008), a pista estava um pouco ondulada, mas eles a deixaram muito boa. E é uma boa corrida, com boas estratégias, e num grande lugar, uma grande cidade.”

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