17 de Outubro de 2011 / às 17:38 / em 6 anos

Ex-vice-presidente da Fifa Warner culpa sionismo por sua queda

PORT OF SPAIN (Reuters) - O ex-vice-presidente da Fifa Jack Warner culpou o sionismo pelas circunstâncias que levaram ele e o ex-chefe da Confederação Asiática de Futebol Mohammed Bin Hammam a serem forçados a abandonar o futebol mundial.

Warner, de 68 anos, renunciou ao cargo na Fifa depois que foram iniciadas investigações no comitê de ética sobre uma reunião que manteve com Bin Hammam em que a Fifa diz que foram feitos pagamentos a dirigentes de futebol do Caribe antes da eleição para presidente da entidade, em junho.

Bin Hammam, do Catar, recebeu uma suspensão vitalícia da federação internacional por seu papel no caso, enquanto vários dirigentes do Caribe receberam suspensões na semana passada.

Bin Hammam não estava imediatamente disponível para comentar o assunto.

Warner, de Trinidad e Tobago, disse em uma carta para o Trinidad Guardian que será publicada na íntegra na terça-feira que ele pretende falar sobre o caso e destacou o que ele considera ser o principal motivo para a sua queda.

“Eu vou falar sobre o sionismo, que provavelmente é a razão mais importante pela qual foi montado este ataque pungente contra Bin Hammam e eu”, disse Warner ao jornal.

Os pagamentos, de 40 mil dólares para cada federação do Caribe, vieram à tona depois de alguns dirigentes caribenhos recorrerem ao norte-americano Chuck Blazer, um membro do comitê executivo da Fifa e secretário-geral da Concacaf, o órgão regional para a América do Norte e Central e Caribe.

Blazer, em seguida, entregou provas à Fifa, que iniciou uma investigação que inicialmente suspendeu Warner. O caso contra ele foi abandonado quando renunciou a todos os seus cargos no esporte.

O jornal de Londres Daily Telegraph publicou na semana passada um vídeo de Warner explicando os pagamentos a funcionários do Caribe.

O Trinidad Guardian citou Warner dizendo que ele iria revelar os presentes que o atual presidente da Fifa, Joseph Blatter, deu em suas campanhas eleitorais anteriores.

Warner também disse que estava descontente com a maneira como ele foi tratado pela Fifa desde a sua saída.

“A Fifa tentou amordaçar-me com ameaças de suspensão em todo o mundo. Eles disseram que eles vão fechar o Escritório de Desenvolvimento da Fifa em Trinidad no final do ano.”

“Eles têm avisado que vão rescindir o contrato de 2012 do meu filho no final deste ano. Eles retomaram os direitos de TV da Copa do Mundo... Eles se recusaram a me dar qualquer parte da minha pensão de 29 anos”, acrescentou.

“Eles continuam a fazer coisas tais como a revelação de um vídeo na esperança de que eles podem constranger-me... Nunca, repito, nunca, a despeito das consequências”, disse ele.

Blazer, que trabalhou ao lado de Warner na Concacaf pela maior parte dos últimos 20 anos, disse à Reuters que ficou surpreendido com os comentários da Warner.

“É o comentário mais ridículo e idiota que eu já ouvi Jack fazer”, disse Blazer.

Blazer, de 66 anos, vai deixar o cargo de secretário-geral da Concacaf até o final do ano, mas irá manter seu assento no comitê executivo da Fifa que ele ocupa desde 1997.

Reportagem de Simon Evans em Tampa, Reportagem adicional de Mike Collett em Londres

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