16 de Janeiro de 2012 / às 18:38 / em 6 anos

Valcke endurece tom e diz que Brasil pede demais à Fifa

BRASÍLIA, 16 Jan (Reuters) - O secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, subiu o tom das conversas com as autoridades brasileiras e disse que o país faz exigências demais à entidade que comanda o futebol nas negociações sobre a Copa do Mundo de 2014 no Brasil.

“Só porque vocês ganharam cinco Copas do Mundo, vocês acham que podem pedir, pedir e pedir”, disse Valcke a jornalistas, após reunião com o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, e o conselheiro do Comitê Organizador Local da Copa (COL) e ex-jogador Ronaldo, em Brasília.

Os comentários do dirigente, que está no país para sua primeira vistoria do ano para o Mundial, foram feitos após ele ser questionado sobre as exigências brasileiras à Fifa. O tema de maior polêmica entre governo e Fifa se refere à Lei Geral da Copa, que está parada no Congresso.

Valcke voltou a cobrar pressa na aprovação da lei -um conjunto de medidas que regulamenta a realização do Mundial da Fifa desde o preço dos ingressos à proteção de marcas de patrocinadores.

“Estamos muito perto de fazer a lei nascer. Os nove meses acabaram, temos que fazer esse bebê sair”, disse ele.

A lei foi alvo de uma série de divergências entre autoridades brasileiras e a Fifa, entre elas a concessão de meia-entrada a estudantes e idosos e a proibição de bebidas alcoólicas nos estádios.

O projeto ainda não foi aprovado numa comissão especial da Câmara dos Deputados. Depois, precisará passar no plenário da Câmara receber o aval dos senadores. Com o recesso dos parlamentares, a matéria só deverá voltar a ser discutida em fevereiro.

“Eu acredito que agora seja o momento de assinar um acordo, não só pelo tempo, porque também temos que pensar em outras coisas. Todos nós estamos focando nessa lei, mas a Copa do Mundo não é só uma lei. É estádio, aeroportos, hotéis”, disse Valcke.

Valcke chegou ao Brasil nesta segunda-feira para acompanhar o progresso dos preparativos do Mundial no Brasil. Na tarde desta segunda, visitará Fortaleza e, nos dias seguintes, Salvador e Rio de Janeiro, onde participará de reuniões para definir outras questões delicadas, como a política de ingresso para as partidas.

A expectativa do governo era conseguir aprovar a Lei na Comissão Especial da Câmara em dezembro, mas diferenças sobre um artigo que determina a responsabilização civil da União em casos de eventuais incidentes durante o Mundial e a questão da venda de bebida alcoólica nos estádios da Copa adiaram a votação para este ano.

A presidente Dilma Rousseff realizará, na terça-feira, uma reunião em Brasília na qual serão discutidos outros pontos relativos ao evento no país, inclusive a questão da segurança.

Valcke disse que a Fifa não pode ser responsabilizada por questões que cabem ao Estado, como segurança ou prejuízos relacionados a desastres naturais, e afirmou que um texto deve ser acertado nos próximos dias.

O ex-jogador Ronaldo, escalado em dezembro para integrar o conselho de administração do COL, diante de diversas críticas à preparação brasileira para o Mundial, tentou explicar qual será seu papel dentro do órgão.

Ele acompanhará Valcke nas visitas aos estádios, numa comitiva que terá o desfalque do presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ricardo Teixeira, que também é presidente do COL.

Teixeira é alvo de investigação da Polícia Federal por suspeita de corrupção e lavagem de dinheiro -acusações que ele nega.

“Vamos mostrar absolutamente que, além de sermos bons de bola, somos bons organizadores e faremos a melhor Copa do Mundo de todos os tempos. O meu papel no comitê, além de toda a burocracia que faz parte dentro do conselho do comitê, é fazer com que o brasileiro realmente acredite nisso”, disse ele.

Valcke minimizou a ausência de Teixeira, e disse não ver “nada de errado nisso”.

Os preparativos do Brasil para o Mundial receberam diversas críticas da Fifa no início de 2011, mas o tom foi amenizado ao longo do ano, diante de avanços nas obras de estádios e anúncios de investimento em aeroportos e em projetos de mobilidade urbana nas cidades-sede.

Segundo Rebelo, o único problema relativo a obras em arenas que receberão jogos têm relação a Porto Alegre, onde os trabalhos no Beira Rio foram interrompidos em agosto de 2010. De acordo com o ministro, as pendências já foram resolvidas e as obras serão retomadas no dia 25.

Reportagem de Hugo Bachega

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