23 de Fevereiro de 2012 / às 20:28 / em 6 anos

Sobreviventes de ataque a Jogos se emocionam na volta a Munique

Por Christine Soukenka

MUNIQUE, Alemanha, 23 Fev (Reuters) - Um sobrevivente do ataque aos Jogos Olímpicos de Munique em 1972 sentiu como se estivesse “flutuando sobre uma nuvem de amor” ao retornar para a cidade do sul da Alemanha nesta semana com vários outros companheiros de equipe para participar de um documentário que marca o 40o aniversário do incidente.

Os sete homens, todos membros da equipe olímpica israelense que foi atacada por homens armados palestinos em 5 de setembro de 1972, disseram que o retorno à cidade que marcou suas vidas para sempre foi uma experiência de emoções confusas.

Eles estavam entre aqueles que conseguiram sobreviver quando, no chamado Setembro Negro, homens escalaram a cerca que delimitava a vila dos atletas olímpicos com armas escondidas em meio a uma segurança reduzida.

Nas 24 horas seguintes, 11 israelenses, cinco palestinos e um policial alemão foram mortos depois que um impasse e posterior esforço de resgate levaram a um tiroteio.

“É um sentimento confuso”, disse o ex-nadador olímpico Avraham Melamed, de 67 anos, após retornar ao Estádio Olímpico nesta quinta-feira.

“Nós estamos aqui tendo um grande momento, mas baseado no pior momento. Nossa visita aqui é fantástica. Sinto como se estivesse flutuando sobre uma nuvem de amor, mas as famílias e as vítimas e as famílias das vítimas compartilham uma realidade completamente diferente”, disse Melamed, que escapou ileso.

Essa foi a primeira visita dele à Alemanha desde 1972. O ex-atleta agora vive nos Estados Unidos.

O ex-esgrimista Dan Alon se aposentou do esporte logo após os ataques a seus companheiros de equipe.

“Eu sempre me sinto bem em Munique, mas tenho algumas lembranças ruins também. Não tenho nada contra os alemães ... Eu só tenho uma coisa a culpar: os terroristas, infelizmente”, disse Alon a jornalistas.

“Esperamos que um dia não haja mais terror em todo o mundo”, acrescentou.

Seu companheiro de equipe, Shaul Ladany, disse que estava desfrutando do momento em Munique, compartilhando a experiência olímpica com outros atletas até o dia que mudou os Jogos para sempre.

“Eu ia a todos os lugares. Tinha amigos e treinei com os canadenses e os americanos que eu conhecia muito bem, os atletas alemães, treinei com os italianos”, declarou Ladany, que também é sobrevivente dos campos de concentração nazistas e visita os túmulos de seus companheiros assassinados, em Tel-Aviv, todos os anos em 6 de setembro.

O documentário sobre 40o aniversário do ataque não se concentra apenas no evento fatal em si, mas também no destino dos sobreviventes, incluindo aqueles que regressaram a Munique.

“Quando o Bio Channel decidiu fazer esse filme, fiquei muito, muito animado. Pelo menos agora, depois de tantos anos, podemos nos unir e dizer ao mundo tudo o que sabemos”, disse Alon.

O documentário será transmitido no The Biography Channel em 7 de julho, dois meses antes do aniversário do ataque.

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